Bruxelas pode ser a ‘nova’ Ottawa: Camionistas europeus planeiam ‘Comboio da Liberdade’ em protesto contra as políticas restritivas da Covid-19

Marcha para Bruxelas está agendada para esta segunda-feira, e a polícia já se encontra a acompanhar a situação

Francisco Laranjeira

Camionistas e motoristas de pesados de toda a Europa estão a planear um ‘Comboio da Liberdade’ para protestar contra as políticas restritivas contra a Covid-19, na mesma linha de manifestações que atualmente ocorrem no Canadá. Em causa está uma marcha para Bruxelas, esta segunda-feira, e a polícia já se encontra a acompanhar a situação.

As autoridades belgas proibiram a realização da manifestação. Segundo justificou o autarca da capital belga, Philippe Close, nenhuma autorização foi solicitada para a realização da manif, que prevê bloquear os eixos principais da capital belga, como aconteceu na capital federal canadiana Otawa.

“Foram tomadas medidas para impedir o bloqueio da região Bruxelas-Capital”, escreveu Close na quinta-feira na rede social Twitter, logo após um anúncio semelhante por parte de Paris, onde o movimento se iniciou na Europa.

Apesar da proibição, milhares de manifestantes saíram às ruas da cidade da luz, bloqueando grande parte dos acessos à capital, com franceses a virem um pouco de todos os pontos do território para protestarem contras medidas anti-covid e pedir de volta a sua liberdade.

Os manifestantes conseguiram ultrapassar as barreiras policiais e aceder aos emblemáticos Campos Eliseus que, durante uma hora, estiveram fechados ao trânsito.

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Entretanto, a dura intervenção policial, que mobilizou 7.200 agentes, acabou por dispersar os manifestantes sem que se registassem incidentes significativos.

Meio milhar de pessoas foram multadas por participarem em manifestações proibidas e 100 foram presas, informou a autoridade de segurança.

Muitos dos participantes nesta manifestação, em Paris, dirigiram-se entretanto para Bruxelas, onde esperam participar, esta segunda-feira, numa grande manifestação europeia.

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Como tudo começou

Milhares de pessoas e centenas de camiões estão a bloquear o centro da capital canadiana desde o passado dia 29 de janeiro, exigindo o fim dos mandatos obrigatórios de vacina, em particular aqueles que cruzam a fronteira para os Estados Unidos. Vários cidadãos canadianos aderiram à causa dos camionistas, o que transformou a manifestação numa luta mais ampla contra as medidas adotadas pelo Canadá.

O ‘Freedom Convoy’ inspirou os oponentes europeus da vacinação obrigatória e das políticas restritivas da Covid-19. Em apenas uma semana, 40 mil pessoas integravam um grupo intitulado ‘World Freedom Convoy’ (‘Comboio da Liberdade Mundial’) na rede social Signal, uma aplicação com mensagens criptografadas.

Os tópicos da conversa são diversos, embora a tendência seja o direito à liberdade de expressão e no direito de fazer as suas próprias escolhas no que toca a saúde.

“Comboios” semelhantes estão a ser organizados nos Estados Unidos. Um canal do Telegram, com quase 40 mil seguidores, está a compartilhar atualizações sobre protestos regionais planeados nos estados do Alabama a Wyoming.

Em Ottawa, no Canadá, os protestos dos camionistas podem estar a instalar-se a longo prazo. E como começou? As autoridades do Canadá decidiram, desde meados de janeiro, exigir que os camionistas tivessem de apresentar certificado de vacinação para atravessar a fronteira para os Estados Unidos. Na reação, um grupo de camionistas bloqueou as ruas de Ottawa, a capital administrativa do Canadá, em frente ao parlamento e ao gabinete do primeiro-ministro, para protestar a decisão.

Originalmente, o protesto era apenas sobre as novas exigências para os camionistas, contudo as ruas começaram a preencher-se com outros manifestantes, contra as medidas sanitárias contra a Covid-19 e também contra o Executivo de Justin Trudeau.

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