Bruxelas monitoriza e promete medidas para combater crise habitacional

A Comissão Europeia disse hoje “acompanhar de perto” e querer responder à crise da habitação na União Europeia (UE), com um plano comunitário que será divulgado em dezembro, quando Portugal regista das maiores subidas nos preços das casas.

Executive Digest com Lusa
Novembro 17, 2025
14:26

A Comissão Europeia disse hoje “acompanhar de perto” e querer responder à crise da habitação na União Europeia (UE), com um plano comunitário que será divulgado em dezembro, quando Portugal regista das maiores subidas nos preços das casas.

“No que diz respeito à habitação, a habitação é um problema em muitos Estados-membros da UE e algo que estamos a acompanhar de perto, uma vez que estamos agora a trabalhar na forma de abordar estas questões da habitação também a nível da UE”, indicou o comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, em entrevista a meios europeus em Bruxelas, inclusive a agência Lusa.

No dia em que o executivo comunitário apresentou projeções económicas de outono, o responsável europeu pela tutela apontou que “o acesso à habitação coloca desafios sociais e económicos”, pelo que a Comissão Europeia está a analisar “o que fazer para apoiar os Estados-membros na resolução dessas questões também ao nível da UE”.

Para 16 de dezembro, está prevista a apresentação de um pacote europeu sobre a habitação, que inclui um plano da UE para a habitação acessível, uma proposta para revisão das regras de auxílios estatais relativas aos serviços de interesse económico geral, um novo programa Bauhaus europeu e uma nova estratégia para a construção habitacional.

Nas previsões de outono, hoje divulgadas em Bruxelas, é indicado que “os preços das habitações na UE continuaram a subir, consolidando a recuperação iniciada em 2024”.

No segundo trimestre de 2025, os preços das habitações na UE estavam 5,4% acima do nível registado um ano antes (5,1% na área do euro), após aumentos trimestrais de 1,4% no primeiro trimestre de 2025 e 1,6% no segundo trimestre de 2025.

Este crescimento dos preços foi mais acentuado no sul e no leste da Europa.

Portugal é um dos países que tem vindo a registar taxas de crescimento anuais de dois dígitos, impulsionadas por uma forte procura e por uma oferta limitada.

“As pressões sobre a acessibilidade mantêm-se elevadas, já que os preços das casas têm aumentado mais rapidamente do que os rendimentos das famílias em muitos países, especialmente nos centros urbanos”, alerta a instituição.

De acordo com a Comissão Europeia, “as restrições à oferta continuam a ser um fator determinante na dinâmica do mercado habitacional”, ao mesmo tempo que “os licenciamentos de construção e as habitações concluídas permanecem em níveis historicamente baixos”.

Barreiras estruturais, custos elevados de construção e obstáculos regulamentares continuam a limitar a nova oferta, pressionando os preços em alta, adianta o executivo comunitário, admitindo que estas limitações se mantenham ao longo de 2026–2027.

Devido à acentuada crise habitacional na UE, a Comissão Europeia vai apresentar, até ao final de 2025, um Plano Europeu para a Habitação Acessível destinado a complementar as políticas habitacionais ao nível nacional, regional e local, mas mantendo o princípio da subsidiariedade, já que esta é uma competência dos Estados-membros.

O plano vai incluir financiamento, ajudas estatais e limites ao alojamento local.

A União Europeia enfrenta uma crise de habitação, em países como Portugal, onde os preços das casas e das rendas têm aumentado significativamente, tornando difícil chegar à habitação acessível, especialmente para jovens e famílias de baixos rendimentos.

Estima-se que, na UE, mais de uma em cada quatro pessoas entre os 15 e os 29 anos vivam em condições de sobrelotação, com grande parte dos jovens europeus a deixar a casa dos pais perto ou depois dos 30 porque não conseguem pagar uma casa própria.

Em 2023, cerca de um em cada 10 europeus gastava 40% ou mais do seu rendimento em habitação e custos conexos.

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