Os líderes dos Estados Unidos e da União Europeia concordaram com esta quarta-feira em trabalhar em conjunto para encontrar uma solução para combater a crise dos semicondutores e “reequilibrar” as cadeias mundiais de abastecimento.
O Conselho de Comércio e da Tecnologia EUA-UE, conhecido como TTC, reuniu-se em Pittsburgh, ainda marcado pela querela diplomática entre França, Austrália e EUA, depois de Canberra ter cancelado a aquisição de submarinos franceses, virando-se para Washington.
No comunicado conjunto emitido na quarta-feira à noite, o grupo salienta que é preciso “identificar lacunas na cadeia de semicondutores e fortalecer os nossos ecossistemas domésticos de chips”.
A nota assegura ainda que ambas as partes pretendem “trabalhar em conjunto para abordar políticas e práticas comerciais injustas”, criticando Pequim por não ser uma boa anfitriã de empresas estrangeiras.
No Twitter, Margrethe Vestager, Comissária da UE para a concorrência, escreveu que “estava feliz com esta declaração conjunta”.
Do outro lado do Atlântico, a homóloga americana, Katherine Tai, confessou estar “entusiasmada” com esta reunião e ansiosa “para fortalecer a nossa parceria tecnológica e comercial com a UE”.
Medidas vão demorar a dar resultados
A escassez de semicondutores tem afetado várias indústrias em todo o mundo, tendo o setor automóvel sido particularmente afetado. No entanto, a União Europeia alertou que as medidas tomadas para fazer face à escassez de semicondutores vão demorar a dar resultados.
Thierry Breton, comissário europeu para o Mercado Interno, admitiu que podemos estar a falar de um período de cerca de 18 meses, o que arrasta as expetativas para 2023, avança o ‘Cinco Dias’.
Em conferência realizada na segunda-feira em paris, Thierry Breton afirmou que é da responsabilidade das empresas investir para resolver este problema de escassez, no entanto, ressalvou que isso já está a acontecer mas que o problema vai subsistir por meses.
De acordo com a mesma fonte, o comissário europeu para o Mercado Interno alertou ainda que com a ascensão dos veículos elétricos e a hidrogénio, serão necessários ainda mais semicondutores.
Foi criada uma “aliança” que reúne os principais players do setor, fabricantes ou institutos de investigação, que tem como objetivo estudar soluções para este problema como, por exemplo, em termos de novos centros de produção na União Europeia.
As tarifas comerciais ficaram de fora da mesa das negociações, mantendo-se a trégua em vigor até novembro, não havendo aumento de taxas de nenhum dos lados. Os Estados Unidos manterão mantém as tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, taxas que também se aplicam às importações da China, Índia, Noruega, Rússia e Suíça.







