Bruxelas deixou cair o terceiro gasoduto previsto na Península Ibérica. Mas o Governo diz que não desiste de Portugal ser uma das principais portas de entrada do gás natural na Europa.
Segundo o “Jornal de Negócios”, a lista da União Europeia (UE) de projectos de interesse comum para as infraestruturas de energia já não tem nenhum dos gasodutos que estavam previstos ser construídos a partir de Portugal. Pelo contrário, inclui três ligações de electricidade, duas internas e uma entre Portugal e Espanha.
Além da ligação entre França e Espanha, através dos Pirenéus, a lista publicada pela Comissão Europeia (CE), no final do ano passado, também deixou de incluir a terceira ligação de gás natural (Bragança/Zamora), cujos fundos europeus já tinham sido aprovados.
Em declarações ao jornal, fonte da CE explicou que quer França como Espanha concordaram que o gasoduto dos Pirenéus não deveria ser incluído no caderno de Projectos prioritários da UE. Assim, «foi acordado que ambos os projectos deviam ser retirados” da lista, uma vez que a terceira ligação de gás natural a partir de Portugal que a Redes Energéticas Nacionais ia construir estava dependente do arranque desta infraestrutura. A mesma fonte de Bruxelas referiu ainda que a «decisão de remover projectos da lista é uma prerrogativa dos Estados-membros».
Contactado pelo “Jornal de Negócios”, fonte oficial do Ministério do Ambiente assegurou que «o Governo não desiste de Portugal ser uma das principais ‘portas de entrada’ do gás natural para a Europa, na medida em que acredita que o gás natural terá um papel importante no contexto da descarbonização, prevendo-se a sua utilização durante pelo menos duas décadas».
A decisão, revelou o gabinete de Matos Fernandes, «esteve relacionada com a oposição de Espanha e, sobretudo, de França, em razão da análise custo-benefício negativa do projecto STEP [como é denominada a interligação através dos Pirenéus]».







