Um cidadão belga infectado com coronavírus, sem síntomas, viajou no A380 que repatriou os 17 portugueses da cidade de Wuhan e as autoridades portuguesas sabiam. A garantia é do porta-voz do ministério belga da Saúde, Jan Eyckmans.
«Dadas as condições do voo o risco é muito limitado, mas nós somos obrigados a transmitir a informação a Portugal e a todos os outros países. E nós fizemo-lo imediatamente, assim que o soubemos, tanto aos Estados-Membros, como à Organização Mundial de Saúde», assegurou o porta-voz à “TSF”. O avisoterá sido feito «imediatamente através do sistema de alerta rápido da União Europeia».
Contactada pela “TSF”, a Direção-Geral da Saúde não prestou declarações sobre o assunto.
O doente está a ser tratado no piso 309 do Hospital de Saint Pierre, onde funciona o serviço de doenças infecciosas. «Esta pessoa teve muito pouco contacto com os outros, dentro do grupo. Por isso, calculamos que seja muito pouco provável que as outras pessoas tenham sido contaminadas por esta com resultado positivo do vírus», garantiu o virologista do hospital Militar Reigne Astrid, Steven Van Gucht, onde o doente foi primeiramente examinado.
Esta manhã, numa conferência de imprensa em Bruxelas, a ministra belga da Saúde, Maggie De Block, disse que já tinha contactado as autoridades de todos os outros países com cidadãos repatriados no mesmo avião, para lhes dar conta da situação.
As autoridades chinesas atualizaram esta terça-feira para 427 o número de casos mortais. Só na China há mais de 20.400 pessoas infectadas pelo 2019-nCoV, detectado em Dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei.
A Organização Mundial de Saúde declarou na quinta-feira passada uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional por causa do surto do novo coronavírus na China, mas considera que ainda não é o momento para declarar uma pandemia.
As pessoas infectadas podem transmitir a doença durante o período de incubação, que demora entre um dia e duas semanas, sem que o vírus seja detectado. Os sintomas incluem febre, dor, mal-estar geral e dificuldades respiratórias.
O vírus já matou mais na China do que a epidemia de SARS (síndrome respiratória aguda grave). Este último surto começou no Sul da China e foram registados mais de oito mil casos em todo o mundo. Matou mais de 800 pessoas em 2002-2003. Mais tarde, descobriu-se que as autoridades chinesas encobriram novos casos de SARS durante meses, o que agravou a sua propagação. Desde 2004 que não havia registo de nenhum novo caso, a nível mundial, e a comunidade médica chegou a considerar a síndrome respiratória aguda grave erradicada.
Veja aqui, em tempo real, o mapa da propagação do coronavírus.














