Bruxelas apresenta hoje relatório sobre prontidão em matéria civil e de defesa que recomenda criação de serviços secretos europeus

Este documento, solicitado pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, em março deste ano, visa identificar as áreas de melhoria necessárias para enfrentar os desafios de segurança emergentes que a Europa enfrenta.

Pedro Gonçalves
Outubro 30, 2024
7:15

Hoje, a Comissão Europeia vai apresentar um importante relatório elaborado pelo antigo Presidente da Finlândia, Sauli Niinistö, que aborda a preparação e prontidão da União Europeia (UE) em questões civis e de defesa. Este documento, solicitado pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, em março deste ano, visa identificar as áreas de melhoria necessárias para enfrentar os desafios de segurança emergentes que a Europa enfrenta.

De acordo com um rascunho do relatório, a União Europeia deveria desenvolver gradualmente um serviço de inteligência plenamente funcional. Esta nova entidade teria como objetivo reunir informações sobre ameaças que surgem fora das fronteiras da UE e que visam o bloco como um todo, com o intuito de evitar sobreposições com as agências nacionais e responder de forma mais eficaz a casos de espionagem dentro dos seus limites.

O relatório é parte de um esforço mais amplo para reforçar a prontidão da UE em matéria de defesa e segurança, num contexto de riscos crescentes, incluindo as ações do Presidente russo, Vladimir Putin, em relação aos países da Europa de Leste, possíveis consequências de conflitos no Médio Oriente e preocupações com a ascensão assertiva da China. Além disso, a UE tem demonstrado maior vigilância em relação a novas ameaças híbridas, como as ondas de migrantes enviadas para desestabilizar os Estados-membros, supostamente por Rússia e Bielorrússia.

Atualmente, a União Europeia não dispõe de um serviço de inteligência adequado, dependendo de fontes públicas e informações fornecidas pelos Estados-membros, o que limita a capacidade das instituições da UE de detectar e reagir a potenciais ameaças. Niinistö deve sugerir a ampliação do mandato do Centro de Inteligência e Situação da UE para incluir a coleta de informações e a utilização das delegações diplomáticas da UE para tal fim. Esse novo centro, juntamente com outros atores da UE, poderia realizar atividades de contra-espionagem e apoiar os decisores políticos ao destacar riscos potenciais.

O relatório também deve chamar a atenção para a necessidade de fortalecer as defesas contra espiões hostis. Uma das recomendações prevê a harmonização do quadro legal relativo à espionagem e atividades clandestinas ilegais nos Estados-membros, a fim de evitar refúgios seguros. Espera-se que o relatório proponha a imposição de restrições a diplomatas de países terceiros que representem uma ameaça em termos de atividades de sabotagem ou espionagem.

A proposta de um novo serviço de inteligência da UE poderá gerar controvérsias no bloco, uma vez que há preocupações sobre a centralização do poder em Bruxelas, além de a segurança nacional das agências estatais estar relutante em compartilhar informações e fontes classificadas com outros países e instituições da UE.

Após os atentados terroristas em Paris, em 2015, e em Bruxelas, em 2016, altos funcionários e legisladores da UE já tinham solicitado reforços na partilha de informações entre os países europeus, mas pouco progresso foi feito desde então. Durante as discussões preliminares que prepararam o relatório de Niinistö, alguns Estados-membros destacaram a importância de respeitar as diferentes responsabilidades das autoridades nacionais e das instituições da UE, enquanto outros enfatizaram a necessidade de uma resposta ao nível da UE, dada a natureza transfronteiriça de algumas crises.

Além disso, o relatório deverá recomendar a maximização da utilização de ferramentas de financiamento já disponíveis a nível nacional e europeu. Uma das sugestões é expandir o âmbito de financiamento do Banco Europeu de Investimento para o setor da defesa, além do uso dual. É também esperado que o documento proponha um plano de investimento em Preparação e Prontidão da UE, que centralizaria diversas ferramentas de financiamento sob um único instrumento, permitindo a alocação de uma parte do orçamento da UE para preparação, segurança e defesa. Segundo as informações obtidas, os Estados-membros também devem comprometer uma percentagem específica do seu PIB para estas finalidades.

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