O Brexit pode ser “ainda mais brutal do que o esperado” devido aos “fracassos” negociais do Reino Unido, afirmou o ex primeiro-ministro britânico, John Major, à BBC, esta terça-feira.
Considerando que a “inflexibilidade” e as “ameaças” do Reino Unido em relação à UE tornariam o comércio futuro “menos lucrativo”, Major alertou ainda para o impacto “corrosivo” para a reputação do Reino Unido de uma proposta de lei que dá aos ministros o poder de sobrepor aspetos do acordo do Brexit.
Esta afirmação foi feita depois de a Câmara dos Lordes ter rejeitado partes do projeto de lei sobre o mercado interno.
Os pares retiraram uma série de cláusulas que dariam ao Reino Unido o direito de ignorar as obrigações do Acordo de Retirada com a UE em relação à Irlanda do Norte.
John Major, que foi um crítico da saída do Reino Unido da UE a 31 de janeiro, disse que este “foi um declive escorregadio que nenhum governo democrático deveria jamais percorrer”.
O ex-primeiro-ministro – que liderou o Reino Unido de 1990 a 1997 – instou o Parlamento a resistir às medidas do projeto de lei que, segundo Major, ameaçava as liberdades essenciais e podia colocar os ministros acima da lei.
“Esta ação é sem precedentes em toda a nossa história – e por uma boa razão. Tem prejudicado a nossa reputação em todo o mundo”, disse.
“Os advogados em todo o mundo estão incrédulos que o Reino Unido – muitas vezes visto como o próprio berço do Estado de direito – pudesse dar a si próprios o poder de infringir a lei”, acrescentou.










