Brexit. Nenhum líder britânico pode aceitar os termos da UE, diz Boris Johnson

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson disse esta quarta-feira que nenhum líder britânico pode aceitar as exigências feitas pela União Europeia (UE), no âmbito do acordo comercial do Brexit, avança a ‘Bloomberg’. A afirmação deu-se enquanto o líder se prepara para ir a Bruxelas encontrar-se com Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia.

Segundo a mesma publicação, o responsável descartou concordar com as propostas existentes do bloco sobre pesca e aplicação de regras de concorrência justa para as empresas, na sequência de a chanceler alemã, Angela Merkel, ter dito que qualquer acordo comercial dependeria de uma concordância com os regulamentos sobre concorrência aplicáveis ​​no futuro.

«Os nossos amigos na UE estão atualmente a insistir que se aprovarem uma nova lei no futuro que nós, neste país, não cumpramos ou não sigamos o exemplo, seja implementado o direito automático de nos punir e retaliar», disse Johnson disse aos membros do Parlamento.

O responsável acrescentou ainda: «Estão a dizer que devemos ser o único país do mundo a não ter controlo soberano sobre as nossas águas pesqueiras. Não acredito que estes sejam termos que qualquer primeiro-ministro deste país deva aceitar», afirmou sublinhando que «ainda há muito a ser feito» e que está ansioso para discutir o assunto com Von der Leyen no jantar desta quarta-feira.

A equipa do primeiro-ministro espera que a conversa pessoalmente com a presidente da Comissão Europeia injete «ímpeto político» no processo, atualmente em impasse.

Se o jantar for bem sucedido, os negociadores podem estar de volta a uma sala onde vão trabalhar sobre todos os detalhes do acordo. Se não, as autoridades de ambos os lados temem que as hipóteses de um acordo estar pronto antes do final de dezembro , altura em que o período de transição do Brexit termina, sejam cada vez mais escassas.

As consequências de um «não acordo»

Se um acordo comercial do Brexit entre o Reino Unido e a União Europeia (UE) não for alcançado, vão perder-se cerca de 300 mil postos de trabalho. Para além disso os preços dos alimentos vão disparar, de acordo com a ‘CNN’.

A saída do Brexit sem acordo ria reduzir a produção britânica em 2% em 2021, ou em cerca de 40 mil milhões de libras, fazendo com que mais de  300 mil pessoas fossem enviadas «para a linha de desemprego» no segundo semestre do próximo ano. Isto numa altura em que o Reino Unido já enfrenta uma crescente crise de empregos e sofre a sua pior recessão em mais de 300 anos como resultado da pandemia.

«Os efeitos a longo prazo [de um Brexit sem acordo] seriam maiores do que o efeito a  longo prazo da Covid-19», disse o governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, ao parlamento no mês passado. «Demora muito mais tempo para que o que chamo de lado real da economia se ajuste à mudança na abertura e no perfil do comércio», acrescentou.

Para além disso, o custo dos alimentos que chegam ao Reino Unido também deve aumentar, segundo o ministro do Meio Ambiente, George Eustice., que referiu à LBC, numa entrevista no domingo, que as tarifas poderiam adicionar quase 2% aos preços dos alimentos.

Cerca de 70% das importações de alimentos e bebidas do Reino Unido em valor vêm da União Europeia, de acordo com dados alfandegários. A Marks & Spencer ( MAKSY ), uma das maiores redes de supermercados britânicos alertou no mês passado para um provável aumento nos preços dos alimentos na ausência de um acordo.

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