Brexit: Mais de 3 milhões de cidadãos da UE pediram para ficar no Reino Unido. 273 mil são portugueses

Os dados detalhados fornecidos pelo Ministério do Interior mostram que em Março registavam-se 125 mil pedidos, elevando o total de solicitações recebidas até ao final do mês para 3.468.700, incluindo aproximadamente 180 mil cidadãos de fora da UE que são familiares dos residentes.

Simone Silva

O Ministério do Interior britânico recebeu 3,4 milhões de pedidos de pessoas que querem continuar no Reino Unido após o Brexit sob o regime de estauto de residência estabelecido pela União Europeia (UE), 273 mil dos quais pertencem a portugueses de acordo com o ‘The Guardian’.

Estes dados colocam o governo próximo de atingir os seus objectivos globais, estimando que o número de cidadãos da UE, Espaço Económico Europeu (EEE) e suíços elegíveis para continuar no país se fixe entre os 3,4 e os 3,8 milhões.

Os dados detalhados fornecidos pelo Ministério do Interior mostram que em Março registavam-se 125 mil pedidos, elevando o total de solicitações recebidas até ao final do mês para 3.468.700, incluindo aproximadamente 180 mil cidadãos de fora da UE que são familiares dos residentes.

O número total de pedidos atendidos foi de 3.147.000, dos quais 58% receberam o estatuto de liquidado e 41% receberam o estatuto de pré-liquidado. Entre as solicitações, cerca de 10 mil foram consideradas inválidas e 600 foram recusadas, 98% das quais por motivos de elegibilidade e 2% por «motivos de adequação», segundo o Ministério do Interior.

Os dados dizem com que os cidadãos polacos ocupam o topo, com 665 mil pedidos de candidatos que pretendem ficar no país, contudo foi estimado anteriormente que existam cerca de um milhão de polacos no Reino Unido, o que leva a crer que alguns regressaram a casa depois do Brexit.

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Os romenos são o segundo maior número de candidatos por nacionalidade, com 564.300 pedidos, seguindo-se os italianos com 351.600 e finalmente os portugueses com 273 mil solicitações.

Em Março registaram-se 7.500 portugueses, menos 46% do que as 14.100 candidaturas feitas em Fevereiro, segundo a agência Lusa, que refere que este valor é o mais baixo em qualquer um dos 12 meses desde o início do processo, em Abril do ano passado.

No entanto, dados publicados na quinta-feira, mostram que existem ainda cerca de 320 mil pedidos acumulados, o que leva alguns investigadores da Universidade de Oxford a alertar para o facto de que muitos deles podem acabar por não ser efectivados.

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Os cidadãos da UE que se encontram em instituições para crianças, lares de idosos ou vítimas de violência doméstica, onde podem existir terceiros que não permitam que se inscrevam para continuar no país, foram apontados como os principais grupos de risco.

O Observatório de Migração da Universidade de Oxford disse num relatório publicado na quinta-feira, que não havia forma de verificar se o governo britânico estava efectivamente a atingir os seus objectivos, uma vez que não existiam meios oficiais para o fazer, não havendo anteriormente um sistema de registo para os migrantes.

Madeleine Sumption, directora da unidade de pesquisa, alertou para o facto de que o governo acha que recolheu todos os pedidos dos cidadãos que desejam ficar no país, contudo os números podem não corresponder à realidade.

«O governo investiu muito em tornar este esquema da UE fácil de utilizar, mas em qualquer situação desta envergadura é inevitável que determinadas pessoas caiam no esquecimento. Será muito difícil saber até é que ponto tal aconteceu, sem um investimento em novos dados», afirmou a responsável.

Sumption defende ainda que «Por várias razões é possível que o número de cidadãos da UE que receberam o estatuto através deste esquema possa exceder em muito a estimativa oficial actual de 3,4 milhões, mas isso não significa necessariamente que a tarefa esteja concluída».

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O Ministério do Interior disse que ainda faltam mais de um ano para atingir o prazo final e, se alguém tiver motivos excepcionais ​​para não o cumprir, será dada mais uma oportunidade de se inscrever.

O organismo disse também que o esquema vai prolongar-se para além de 30 de Junho de 2021 «não apenas para aqueles com motivos razoáveis ​​para se atrasar, mas também para incluir aqueles que receberam o estatuto pré-estabelecido e que poderão oportunamente solicitar o estatuto estabelecido. O mesmo se aplica para familiares próximos que moram no exterior no final do período de transição (e filhos nascidos após essa data) e que depois se juntam com um cidadão residente na UE, EEE, ou suíço».

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