Os cidadãos europeus que residam no Reino Unido não serão automaticamente deportados no final deste ano. A garantia foi deixada pelo belga Guy Verhofstadt, líder liberal do Parlamento Europeu, após uma reunião com o ministro para o Brexit Steve Barclay, revela o jornal “The Guardian”.
Barclay terá assegurado que os cidadãos da UE não serão expulsos do país, pelo menos até ao final deste ano, o prazo para pedir o estado de residente permanente que lhes permite ter os mesmos direitos de que gozam actualmente. Se houver acordo com Bruxelas, este prazo estende-se até 30 de Junho de 2021.
«Queria ter a certeza de que as pessoas não seriam automaticamente deportadas deportação após esse período, porque podem ser pessoas muito vulneráveis», explicou Verhofstadt, sublinhando que «a ideia seria que mesmo essas pessoas pudessem candidatar-se mediante uma justificação».
Entretanto, face aos comentários do líder liberal, o Ministério do Interior emitiu um comentário. «Queremos deixar claro que se as pessoas tiverem motivos razoáveis para não cumprirem o prazo original ser-lhes-á dada uma nova oportunidade para se candidatarem», referiu, citado pelo diário britânico.
Na quarta-feira, o Parlamento Europeu considerou que será gerado um maior sentimento de segurança para os cidadãos europeus se lhes for concedido um documento físico, que prove o seu direito de residir no país após a saída da UE. Criticou também os «anúncios contraditórios» do Governo britânico sobre o sistema de registo de cidadãos da UE, frisando que «causaram incertezas e ansiedade desnecessárias».
A preocupação aumentou desde que, numa entrevista ao jornal alemão “Die Welt”, o secretário de Estado para a Segurança, Brandon Lewis, afirmou que 2,5 milhões de europeus correm o risco de ser deportadas do país se não fizerem o pedido até 31 de Dezembro de 2020. «Se os cidadãos da União Europeia não tiverem procedido ao registo até essa data sem uma justificação adequada, irão aplicar-se as regras de imigração», afirmou.
Segundos dados do Ministério do Interior britânico, já pediram estatuto de residente cerca de 1,5 milhões de europeus e familiares, dos quais 117.300 portugueses, a nacionalidade com o quarto maior número de candidaturas, a seguir à Polónia, Roménia e Itália.
O Executivo português estima que residam no Reino Unido cerca de 400 mil portugueses. Até Dezembro, 10.700 portugueses apresentaram as candidaturas, tal como 139.500 outros europeus, totalizando quase 2,6 milhões o número de europeus que já completaram este processo, segundo um relatório hoje publicado, citado pela “Lusa”. Desses, 58% dos candidatos receberam título permanente e 41% um título provisório e apenas seis candidaturas em quase três milhões terão sido recusadas devido à falta de elegibilidade, nomeadamente por terem cometido crimes graves.










