À semelhança do Reino Unido, este território, cedido por Espanha à Coroa Britânica a título perpétuo em 1713 mas alvo de permanente disputa entre os dois países, sairá da UE (processo que ficou conhecido como ‘Brexit’) à meia-noite de sexta-feira (31 de janeiro) em Bruxelas, o que corresponde às 23h00 em Londres e Lisboa
Gibraltar, território britânico situado no extremo sul de Espanha e reivindicado por Madrid, despede-se igualmente na sexta-feira da União Europeia (UE) com uma breve cerimónia solene, na qual a bandeira da Commonwealth será hasteada em substituição da bandeira comunitária.
À semelhança do Reino Unido, este território, cedido por Espanha à Coroa Britânica a título perpétuo em 1713 mas alvo de permanente disputa entre os dois países, sairá da UE (processo que ficou conhecido como ‘Brexit’) à meia-noite de sexta-feira (31 de janeiro) em Bruxelas, o que corresponde às 23h00 em Londres e Lisboa.
Na breve cerimónia prevista, e enquanto a bandeira azul com 12 estrelas amarelas é arriada, será interpretado o hino da UE, “Ode for Joy” (“Hino à Alegria”, na tradução em português), “como sinal de respeito e de apreço pela Europa”, anunciou hoje o governo de Gibraltar, precisando que o evento será realizado junto à zona de fronteira com Espanha.
Em substituição da bandeira comunitária, será içada a bandeira da Commonwealth, organização que congrega Estados e territórios que integraram no passado o império colonial britânico.
O chefe do governo de Gibraltar, Fabian Picardo, e as mais altas autoridades do território, como o ministro dos Assuntos Exteriores, Joseph Garcia, e o governador geral, Edward Davis, vão marcar presença na cerimónia. O executivo gibraltino pediu às pessoas para assistirem à cerimónia através da transmissão em direto da televisão, por causa das limitações de espaço do local do evento.
A cerimónia vai marcar “o fim de uma era”, segundo referiu Joseph Garcia, citado numa nota informativa do governo daquele território. No mesmo comunicado, o chefe do governo de Gibraltar recordou, por sua vez, que em 2016 cerca de 96% dos habitantes daquele território votaram a favor da permanência na UE.
Fabian Picardo também lembrou que a inclusão de Gibraltar no acordo de saída da UE e no período de transição de 11 meses, que começa na sexta-feira, significa que naquele território “muito poucas coisas” vão mudar para os cidadãos e para a afluência na fronteira, que é atravessada diariamente por mais de 9.000 trabalhadores espanhóis. “Gibraltar pode olhar para o futuro com confiança”, concluiu Fabian Picardo.
Este pequeno enclave de sete quilómetros quadrados também conhecido como o ‘Rochedo’, com 32.000 habitantes e com fronteira no sul de Espanha, foi um tema que suscitou tensão junto do Governo espanhol durante as negociações do ‘Brexit’ entre Bruxelas e Londres.
A tensão dissipou-se em novembro de 2018, quando o então e atual primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que não iria opor-se a um acordo entre a UE e o Reino Unido para o ‘Brexit’.
Sánchez tinha ameaçado votar contra se não houvesse uma clarificação do artigo 184 do acordo de saída, que na opinião do Governo espanhol estabelecia que, no futuro, os assuntos relacionados com Gibraltar seriam abordados exclusivamente entre Londres e Bruxelas.






