A um dia das eleições em terras de Sua Majestade, os conservadores mantêm vantagem nas sondagens que a imprensa britânica publicou esta quarta-feira.
Contudo, na recta final da campanha eleitoral, Johnson está debaixo de fogo, depois de ter sido publicada no “Daily Mirror” a fotografia de uma criança de quatro anos a dormir no chão de um hospital por falta de camas. «É uma foto terrível e peço desculpas à família e a todos os que tiveram uma má experiência no Serviço Nacional de Saúde [NHS, na sigla em inglês]», disse Johnson à “ITV”, sem olhar para a fotografia, reafirmando as promessas de mais investimento no sistema nacional de saúde.
É também acusado de adoptar um tom «anti-imigração» e de «culpar os imigrantes por problemas locais», depois de dizer que não devem «tratar o Reino Unido como seu» e que quer expulsar os menos qualificados, avança o “The Independent”.
Assim, resta saber para onde vai o Brexit a seguir e o que pode fazer Boris Johnson? Estes são os últimos desenvolvimentos e quatro possíveis cenários para o desenrolar do processo, a pouco mais de um mês para data prevista de saída do Reino Unido do bloco europeu.
1. Uma vitória confortável e um Brexit ordenado
O líder do Partido Conservador, Boris Johnson, vence com uma maioria expressiva de 347 ou mais deputados no Parlamento, o que lhe permitirá concluir o divórcio inglês a 31 de Janeiro, tal como previsto no último acordo de prorrogação do prazo de saída.
Na última sondagem YouGov, os conservadores surgem num primeiro lugar confortável, com 43% das intenções de voto, o que dá uma vitória por maioria absoluta a Boris Johnson. A concretizar-se, esta será a maior vitória dos conservadores em mais de três décadas. Esta projecção dá 359 lugares, um número superior ao que tinha sido alcançado na eleição encabeçada pela então primeira-ministra Theresa May.
Contudo, a saga não termina aqui: nada vai mudar, devido ao período de transição que prevê atenuar o impacto da saída do Reino Unido da Europa. Londres terá até 31 de Dezembro do próximo ano para negociar a futura relação com o bloco.
3. Mais do mesmo
Com maioria parlamentar, a situação «permanece igual, de caos absoluto», como disse Theresa May. Johnson fica no poder, com o apoio do Partido Democrático Unionista da Irlanda do Norte (DUP), afastando líder dos trabalhista, Jeremy Corbyn, da corrida ao Governo. Só que, quando se olha para o acordo final que foi discutido e aprovado na cimeira europeia, há um senão. Em causa está a questão da fronteira entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte (que pertence ao Reino Unido). A proposta de Boris Johson para o Brexit insiste em abdicar do backstop, um mecanismo de salvaguarda negociado por May, para que se evite uma fronteira rígida entre os dois territórios irlandeses, uma solução que o DUP rejeita.














