BQ.1.1: A nova sub-variante da Covid-19 que está a preocupar os especialistas

Epidemiologistas apontam que esta nova sub-linhagem se deverá tornar a dominante numa nova vaga da pandemia. Casos devem disparar a partir de abril.

Pedro Zagacho Gonçalves

Há uma nova sub-variante da Covid-19, a BQ.1.1, que está a preocupar os epidemiologistas. Após a sub-variante BA.5 se tornar a dominante, e se ter verificado o decrescimento do número de infeções em todo o mundo a partir de julho, as novas sub-variantes do coronavírus estão a competir pelo domínio, podendo criar novas vagas da pandemia.

Pouco mais de um mês depois do fim do verão epidemiologistas já apontam vencedor. No Reino Unido, infeções pela subvariante BQ.1.1 – próxima da BA.5 mas que sofreu muitas mutações – estão a duplicar todas as semanas, num crescimento que ultrapassa o verificado com outras sub-linhagens dominantes. Nos EUA, a mesma sub-variante está a espalhar-se a uma velocidade duas vezes superior a outra sub-variante semelhante, a BA.2.75.2,

A BQ.1.1 é classificada como “muito contagiosa” pelos especialistas ouvidos pelo Daily Beast, mas não é esta a sua qualidade mais alarmante. O que está a preocupar a comunidade médica é que esta sub-variante tem a capacidade de ‘escapar’ a determinados anticorpos. Aliás, parece ser a primeira forma da Covid-19 na qual as terapias com anticorpos (evusheld e bebtelovimab, por exemplo), não funcionam de todo, revela um estudo.

No entanto, há boas notícias: as melhores vacinas funcionam contra a BQ.1.1, especialmente o reforço com vacinas “bivalentes” de mRNA (por exemplo, as últimas doses de reforço da Pfizer ou Moderna). No entanto a adesão da população aos reforços da vacina, assinalam os especialistas, não tem tanta quanto a das primeiras doses da vacina, o que significa que as novas vacinas ainda não estão a oferecer a devida proteção das populações contra esta variante.

“Temos a ferramentas contra a Covid-19, mas não as estamos a usar” lamenta James Lawler, especialista em doenças infeciosas do Centro Médico da Universidade do Nebraska, nos EUA.

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Em Portugal, segundo o último relatório da vacinação, emitido pela DGS em março deste ano, mais de 80% da população entre 50 e mais de 80 anos recebeu a dose de reforço, mas a percentagem baixa nas faixas etárias inferiores. Na faixa dos 30-39 anos, fica-se pelos 38% da população com reforço e, nos 18-29 anos, nos 43%.

Assim, a BQ.1.1 parece estar posicionada para se tornar a variante dominante numa nova vaga da pandemia, aproveitando-se do facto de a população global estar mais vulnerável, numa altura em que os anticorpos de anteriores vacinações, reforços, infeções ou reinfeções, gradualmente estão a baixar nos próximos meses (caso não haja novo reforço).

A ‘vantagem’ desta sub-variante perante outras está em três mutações sofridas na proteína ‘spike’, a parte do vírus SARS-CoV-2 que o ajuda a infetar células. São estas mutações, chamadas N460K, K444T e R36T, que tornam a BQ.1.1 mais contagiosa do que outras parecidas, como a BA.2.75.2 ou a BA.4.6.1.

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Edwin Michael, epidemiologista no Centro de Saúde Global de Investigação de Doenças Infeciosas da Universidade de South Florida, diz que os seus modelos computorizados preveem um crescimento muito acentuado dos casos de infeção com a BQ.1.1 a partir de abril.

Não será a última sub-variante a preocupar a comunidade médica global, adiantam os especialistas, que reconhecem que o coronavírus “ainda tem um grande potencial de mutações”, comparando-o ao vírus da gripe.

“Acho que, nos próximos anos, com repetidos aumentos e avanços na vacinação e reinfeções repetidas por Covid, uma e outra vez, eventualmente hão de nos dar uma imunidade de grupo, com a qual veremos menos surtos explosivos, taxas de internamento mais baixas e também taxas de mortalidade inferiores. Mas duvido que atinja os mesmos valores que temos com a gripe sazonal”, termina o especialista James Lawler.

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