Bons alunos, felizes e anti-bullying: o retrato da Educação em Portugal

Portugal é dos «poucos com uma trajectória positiva em todos os três domínios de literacia» avaliados pelo Programe for International Student Assessment, o estudo internacional trienal, realizado de três em três anos a alunos de 15 anos, que abrangeu em 2018 um número recorde de 600 mil alunos de 79 países.

Executive Digest

Portugal é dos «poucos com uma trajectória positiva em todos os três domínios de literacia» avaliados pelo Programe for International Student Assessment (PISA), o estudo internacional trienal, realizado de três em três anos a alunos de 15 anos, que abrangeu em 2018 um número recorde de 600 mil alunos de 79 países. Os resultados, divulgados esta terça-feira, colocam os jovens portugueses na média da OCDE no que diz respeito às competências nas áreas da leitura, ciências e matemática.

De acordo com o estudo, apenas sete dos 79 países analisados melhoraram significativamente o seu desempenho na última década. Além de Portugal, destacam-se Albânia, Colômbia, a região de Macau, Moldávia, Peru e Qatar.

Ainda assim, Portugal não entregou o mínimo de testes exigidos pelo PISA (80%), tendo enviado apenas 76%. Segundo o relatório, o número de participantes abaixo do solicitado pode ter enviesado os resultados.

Leitura

Em Portugal, 80% dos alunos atingiram, pelo menos, o nível 2 no teste de leitura do PISA, ficando acima da média da OCDE (77%). Por outro lado, cerca de 7% atingiram os níveis 5 ou 6, sendo que a média da OCDE é de 9%.

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Ciências

Praticamente 80% dos alunos obtiveram nota nível 2 ou superior em Ciências, dois pontos percentuais (p.p.) acima da média da OCDE (78%). Apenas 6% conseguiram atingir os níveis mais elevados (5 e 6).

Matemática

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Quanto ao domínio da Matemática, aproximadamente 77% atingiram o nível 2 ou superior; a média da OCDE de 76%. Outros 12% obtiveram nota 5 ou superior, um resultado um p.p. acima da média dos países da OCDE (11%).

Contudo, nem tudo é positivo. Quase 30% dos alunos portugueses já faltaram, pelo menos, um dia à escola. Aqueles que faltaram tiveram em média menos 39 pontos do que os que não nunca faltaram. Nas duas semanas anteriores ao estudo, 50% chegaram atrasados.

A situação socioeconómica dos alunos pesou, uma vez mais, no seu desempenho. De acordo com o estudo, só na área da leitura, os alunos privilegiados superaram em 95 pontos os mais desfavorecidos. Ainda assim, cerca de 10% dos alunos desfavorecidos em Portugal conseguiram atingir os melhores níveis de desempenho no mesmo domínio.

Mais: um aluno desfavorecido tem 22% de probabilidade de estar matriculado numa escola com aqueles que atingem os melhores níveis no domínio da leitura. A média da OCDE é de 17%.

Portugal é também um dos países onde as escolas relataram mais escassez de pessoal e de material, acima da média da OCDE. Em média, 18% dos estudantes matriculados num estabelecimento de ensino desfavorecido e 29% dos alunos matriculados numa escola privilegiada frequentam um estabelecimento com falta de pessoal docente. Enquanto isso, nos países da OCDE, 34% dos estudantes em escolas desfavorecidas e 18% dos estudantes em escolas favorecidas frequentam, em média, escolas com o mesmo padrão.

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Se olharmos para os mais desfavorecidos, as ambições da maioria dos alunos são mais baixas do que o esperado. Em Portugal, um em cada quatro estudantes desfavorecidos com elevados níveis de desempenho – e cerca de um em cada 30 estudantes favorecidos com elevado desempenho – não espera concluir o ensino superior.

Em Portugal, cerca de 15% dos alunos admitem ser vítimas de intimidação e de violência na escola, face à média dos países da OCDE (23%). Cerca de 10% dizem sentir-se sozinhos na escola, enquanto 70% afirmam estar satisfeitos. A esmagadora maioria (96%) sente-se quase sempre feliz. Apenas 3% se sentem tristes na maior parte do tempo.

Importa sublinhar que, em Portugal, 58% dos alunos dizem que os colegas se entreajudam, ligeiramente abaixo do que os 62% da OCDE.

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