Bolsonaro volta atrás e nomeia o advogado André de Almeida Mendonça para ministro da Justiça

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, nomeou o advogado André de Almeida Mendonça para ministro da Justiça, em substituição de Sergio Moro.

Simone Silva

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, nomeou esta terça-feira o advogado André de Almeida Mendonça para assumir o cargo de ministro da Justiça, substituindo assim Sergio Moro, que apresentou a sua demissão na sexta-feira, avança a o jornal brasileiro ‘Folha de S. Paulo’.

Esta decisão vem assim surpreender a comunicação social brasileira, que já tinha apontado Jorge Oliveira, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência e um amigo íntimo da família Bolsonaro, como o indicado pelo líder do país para assegurar a pasta da justiça e da segurança, um facto que causou bastante polémica na altura.

Desta forma Bolsonaro volta atrás, tendo sido obrigado a desistir da nomeação de Jorge Oliveira, que era considerado o candidato mais forte para substituir Sérgio Moro. Isto porque como Oliveira é amigo íntimo da família do Presidente brasileiro, a sua nomeação para o Ministério da Justiça foi alvo de contestação política e seria questionada pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil.

O líder brasileiro indicou também o delegado Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal, ele sim, amigo dos filhos do Presidente brasileiro e já apontado para ocupar o cargo em questão. Alexandre Ramagem pertence ao grupo de auxiliares de confiança do Planalto com o apoio do vereador Carlos Bolsonaro, filho do Presidente brasileiro.

A sua nomeação também está a ser alvo de críticas, uma vez que Ramagem será responsável por conduzir a Polícia Federal, numa altura em que a corporação investiga as condutas ilícitas de Carlos e Eduardo Bolsonaro, filhos do titular do Palácio do Planalto, próximos do actual director policial.

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Recorde-se que, segundo uma sondagem realizada no Brasil, a maioria da população do país, cerca de 52%, apoia pela primeira vez a destituição do presidente, Jair Bolsonaro. 64,4% dos inquiridos reprovam a actuação recente do Presidente, contra a apenas 30% que dizem estar satisfeitos.

«Há uma queda sem precedentes da imagem positiva que o Presidente tinha na nossa série histórica», afirma um dos autores do estudo, adiantando que  «Pela primeira vez, observamos uma maioria a favor (do impeachment), num momento em que se começa a discutir mais sobre isso, o que pode criar uma pressão popular sobre o Congresso».

O estudo revelou ainda que 68% dos inquiridos não concordam com a substituição de Valeixo, por sua vez 72% concordam com as críticas feitas por Moro ao Presidente, um indicador extremamente preocupante para o presidente brasileiro.

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Outro indicador que pode ser prejudicial para Bolsonaro é o facto de que no início de 2020 o nível de confiança em Moro era de 33%, na altura 11 pontos percentuais acima do presidente brasileiro, segundo o Instituto Datafolha.

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