Bolsonaro reage a operação da Policia Federal e nega plano de fuga: “É perseguição”

O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro afirmou esta sexta-feira que considera “política” a investigação da Polícia Federal (PF) que motivou uma nova operação contra si, culminando na apreensão de dinheiro em espécie e na imposição de duras medidas restritivas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Pedro Gonçalves

O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro negou esta sexta-feira qualquer intenção de deixar o Brasil, reagindo à mais recente operação da Polícia Federal (PF), que resultou na imposição de medidas restritivas por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Em declarações aos jornalistas, Bolsonaro considerou que está a ser vítima de “perseguição política” e classificou a decisão judicial como uma “suprema humilhação”.

“Nunca pensei em sair do Brasil ou ir para embaixada”, afirmou o ex-presidente, rejeitando as suspeitas de que pudesse estar a planear uma fuga. Afirmou ainda: “Não tenho dúvidas de que é perseguição”, referindo-se à operação policial desta sexta-feira, que o incluiu como alvo e determinou buscas na sua residência em Brasília.

A decisão foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes e inclui a obrigatoriedade do uso de pulseira eletrónica, recolher domiciliário obrigatório entre as 19h00 e as 7h00, inclusive aos fins de semana, e a proibição de manter contacto com outros investigados, com diplomatas e de utilizar redes sociais. Moraes sustenta que Bolsonaro atuou em articulação com o filho, Eduardo Bolsonaro, para interferir em processos judiciais e fez declarações públicas que associavam uma eventual anistia à suspensão de sanções económicas dos EUA ao Brasil.

Durante a operação de busca e apreensão na residência do ex-presidente, os agentes da Polícia Federal encontraram cerca de 14 mil dólares (aproximadamente 12.740 euros) e 8 mil reais (cerca de 1.360 euros) em dinheiro vivo. Também foi localizado uma pendrive escondida na casa de banho, que será agora analisada pela polícia científica. Bolsonaro confirmou a apreensão e declarou: “Tem recibo do Banco do Brasil”.

Embora não seja crime manter dinheiro em casa, os valores superiores a 10 mil dólares devem ser declarados à Receita Federal brasileira quando atravessam fronteiras, o que poderá vir a ter relevância no âmbito da investigação em curso. Esta apura suspeitas de coação no curso do processo, obstrução à Justiça e ameaça à soberania nacional.

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A defesa de Bolsonaro afirmou, em comunicado, ter recebido as medidas com “surpresa e indignação”, sublinhando que o ex-presidente “sempre cumpriu as determinações da Justiça”. A nota reforça que não existe qualquer elemento que justifique a imposição de tais medidas restritivas.

Os filhos de Bolsonaro também reagiram publicamente. O senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro acusaram Alexandre de Moraes de “abuso de autoridade” e de agir com “ódio político”, reiterando a inocência do ex-presidente e denunciando o que consideram uma escalada repressiva contra figuras da oposição.

As medidas impostas por Moraes surgem num momento em que o cerco judicial a Bolsonaro se intensifica. A acusação de que estaria a planear evadir-se do território nacional — com rumores de que procuraria asilo diplomático — foi veementemente negada pelo ex-presidente, que se disse alvo de uma tentativa de destruição da sua imagem pública.

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“É uma suprema humilhação. Não roubei, não matei, não fiz nada de errado”, declarou Bolsonaro, visivelmente abalado, numa curta intervenção aos jornalistas. O ex-presidente mostrou-se determinado a resistir judicial e politicamente ao que classifica como “perseguição”.

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