A fabricante aeronáutica norte-americana Boeing inaugurou na sexta-feira, perto de Seattle, a quarta linha de montagem do 737 MAX, um avião emblemático que, por diversas ocasiões, ameaçou provocar a ruína do maior exportador norte-americano.
“Este investimento é um sinal de confiança na nossa força de trabalho, na indústria transformadora norte-americana e no futuro do setor aeroespacial na cidade de Everett”, estado de Wahington, afirmou a presidente da câmara municipal, Cassie Franklin, durante uma cerimónia de inauguração, que contou com a presença de centenas de funcionários da Boeing.
A “North Line”, como é conhecida, deverá permitir ao grupo atingir o objetivo de fabricar até 63 unidades do 737 MAX por mês, contra as 47 atuais. E talvez ir ainda mais longe.
Em fevereiro e março de 2019, a Boeing produziu 52 aparelhos em cada um desses meses, recorde que ainda não foi igualado desde então.
O ritmo tem vindo a aumentar gradualmente desde que a autoridade reguladora da aviação (FAA) eliminou, em outubro de 2025, o limite de 38 aeronaves por mês imposto na sequência de um incidente em voo, em janeiro de 2024, num 737 MAX 9 entregue algumas semanas antes.
O incidente revelou graves problemas de qualidade na produção da gigante norte-americana, provocando uma crise existencial da qual a Boeing parece estar a recuperar, à custa de um reforço dos procedimentos de fabrico e conformidade iniciado há dois anos pelo presidente da empresa, Kelly Ortberg.
A “North Line” inaugurada, de facto, na segunda-feira é a única unidade de produção capaz de construir, do início ao fim, o 737 MAX 10, o maior modelo da família, cuja certificação já regista um atraso de três anos.
A unidade conta atualmente com cerca de mil funcionários, metade dos quais transferidos de Renton, onde a família 737 era, até agora, fabricada exclusivamente em três linhas de montagem.
Devido à impossibilidade de expansão em Renton, a quarta linha foi integrada na fábrica de Everett, situada a cerca de cinquenta quilómetros.
O local, considerado em 2024 como “o maior edifício do mundo em volume”, montava exclusivamente o jato de grande porte 777 e o 767 de carga desde que o 787 Dreamliner foi totalmente transferido para a Carolina do Sul em fevereiro de 2021.
A Boeing investiu mil milhões de dólares para instalar esta quarta linha de montagem.
Tal como as outras três em Renton, dispõe de dez pontos de paragem, nos quais as fuselagens provenientes da fábrica de Wichita (Kansas) são equipadas com asas, assentos, cablagem, motores, etc., para sair como um avião pronto a descolar.
A empresa não revelou uma data prevista para a saída da primeira aeronave a ser concluída nas instalações. Uma fuselagem do 737 MAX 10 foi a primeira a entrar.
O 737 MAX, o avião mais vendido da Boeing — com cerca de 4.400 encomendas, num total de cerca de 6.800 em todos os modelos comerciais —, é também aquele que tem gerado mais problemas desde a sua apresentação, em agosto de 2011.
O mais grave foi revelado durante os acidentes da Lion Air, em outubro de 2018, e da Ethiopian Airlines, em março de 2019, que causaram um total de 346 mortos. O software anti-perda de sustentação MCAS dos dois 737 MAX 8, entregues alguns meses antes, apresentava um defeito de conceção.
Toda a frota mundial de 737 MAX ficou imobilizada no solo durante pelo menos vinte meses.













