Por Ricardo Pereira, Portugal Sales Manager, Axis Communications
Nos últimos anos, tem-se discutido amplamente a implementação do uso de BodyWorn Cameras (BWC) pelas forças de segurança em Portugal, como forma de reforçar a confiança entre os cidadãos e os agentes da autoridade. Com a recente decisão do Ministério da Administração Interna (MAI) em avançar com o processo, a discussão deve agora centrar-se na escolha de soluções adequadas para garantir as máximas eficiência e flexibilidade a longo prazo.
Importa referir que as BWC são ferramentas estratégicas para o trabalho das forças policiais, pois permitem garantir o registo de todos os detalhes, promovem a transparência e reforçam a segurança de todas as partes envolvidas. Ao registarem as intervenções policiais de forma objetiva, fornecem um contexto cada vez mais indispensável e inquestionável para analisar as ocorrências. Não se trata apenas de defender os agentes, mas também os cidadãos – porque, com estas câmaras, deixam de ter tanto impacto os vídeos amadores e descontextualizados que se tornam virais nas redes sociais e não correspondem necessariamente à realidade. Estes dispositivos garantem aos cidadãos que as as suas interações com as forças de segurança são devidamente documentadas, e protegem também os agentes policiais de possíveis acusações infundadas.
Quais são os próximos passos a seguir?
Estando o processo da escolha da plataforma de gestão bem encaminhada, o próximo passo do caminho será a escolha dos equipamentos a implementar. Parece simples – mas serão os equipamentos de campo aqueles que vão estar em ação nas mais diversas situações e, como tal, têm a mais alta importância neste processo. Do manuseamento, peso e resistência à autonomia do equipamento, uma decisão menos acertada pode significar constrangimentos no futuro, que podem impactar severamente a utilização das BodyWorn Cameras.
Assim sendo, o necessário agora será optar por uma solução de câmaras que funcione dentro dos standards de mercado, uma plataforma aberta que permita que não se fique preso a um fornecedor específico, e haja liberdade para integrar novas soluções, à medida que as necessidades das forças de segurança e da sociedade evoluam. Se no futuro o MAI precisar de mudar a plataforma de gestão de vídeo, com uma solução de câmaras verdadeiramente aberta, bastará substituir o software sem necessidade de alterar os equipamentos de campo e repetir desnecessariamente o processo.
O segundo ponto a ter em conta é a realização de amplos testes no terreno, para garantir que os dispositivos escolhidos atendem às necessidades dos agentes. Características como durabilidade, peso, ergonomia e eficácia em condições adversas – como exposição a água, poeira, sol e chuva – devem ser avaliadas diretamente pelos utilizadores. A autonomia – seja em modo de gravação, seja em stand-by –, deve igualmente ser tida em consideração, uma vez que muitas das ações policiais têm períodos de longa duração e não podem estar condicionadas à autonomia da câmara em si. Estes testes também contribuem para que os agentes desenvolvam confiança no equipamento que vão utilizar no dia-a-dia. Enquanto interessados principais, é crucial que tenham um papel ativo nesta etapa.
Assim, agora mais do que nunca, é fundamental que o processo avance com determinação e rapidez. Se finalmente conseguimos chegar até aqui, que possamos levar o resto do processo com celeridade e equiparar-nos a outros países – como a República Checa, os EUA ou o Reino Unido – onde este tipo de equipamentos já é amplamente utilizado, e onde se reporta um aumento geral do sentimento de segurança, com interações mais positivas entre os agentes de segurança e os cidadãos.
Mais do que um investimento tecnológico, as BodyWorn Cameras representam um compromisso com a verdade, a transparência e a justiça – valores essenciais para uma sociedade democrática e para a manutenção de uma relação sólida e segura entre todas as partes.




