Boaventura Sousa Santos revela alegados emails enviados por ativista para desmentir acusações de assédio sexual

A ativista nega que as provas apresentadas e as mensagens enviadas tenham partido de si, e volta a repetir as acusações.

Pedro Zagacho Gonçalves

O investigador e sociólogo Boaventura Sousa Santos, acusado por várias mulheres de assédio moral, assédio sexual e extrativismo intelectual no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra diz que as acusações feitas pela ativista argentina Moira Iván Millán são “falsas e caluniosas” e revelou emails, alegadamente enviados pela mulher, para sustentar a sua versão dos factos.

Os documentos foram enviados ao jornal Público, e serão reproduções de emails alegadamente enviados por Moira Millán durante quatro anos. A ativista nega que as provas apresentadas e as mensagens enviadas tenham partido de si, evolta a repetir as acusações. Boaventura Sousa Santos exige um pedido de desculpas e espera que a ativista se retrate, admitindo avançar também para tribunal.

O caso remonta a 2010, e já relatado pela ativista anteriormente, em que, após um alegado jantar, o sociólogo terá assediado a ativista.

Boaventura Sousa Santos nega que a tenha convidado a entrar no prédio onde vivia, e desmente que o edifício tenha sistema de segurança para entrar, como tinha dito Millán. “Em nenhum dos momentos ocorreu qualquer das situações descritas”, diz, confirmando que houve um jantar, mas não como a ativista descreveu, e negando que alguma vez tivesse estado em sua casa.

Nas conversações reveladas, Boaventura Sousa Santos mostra um email alegadamente enviado poe Millán: “Mando-te um grande abraço confessando que guardo com carinho o aroma das ruas de Coimbra, aquela noite quente, o nosso passeio sem pressa e a conversa cativante e estimulante que tivemos, e claro o teu bom gosto para os vinhos”.

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O sociólogo diz ter respondido “imediatamente”: “Fico contente por saber que gostaste da passagem por Coimbra. Tive muito gosto em receber-te em Coimbra. A tua palestra foi muito apreciada por todos. Também me senti muito desafiado pelas tuas perspetivas sobre as lutas indígenas”.

No entanto Moira Millán nega que este texto tenha sido enviado a Boaventura Sousa Santos, mas sim a um amigo seu francês, e que tem sido alvo de vários ataques informáticos à sua conta de e-mail, que diz que pode ser usada por qualquer pessoa, já que acede muitas vezes a partir de cibercafés, e indica já ter fechado a conta ligada a este endereço.

O sociólogo mostra ainda emails em que Millán alegadamente pediu ajudas para despesas de renda e alimentação ou “investimento” para um romance que estava a escrever, ou 500 euros para “uma dívida urgente”. No email não existem quaisquer referências diretas ao nome de Boaventura Sousa Santos. Destes, só respondeu a um email, que pedia “apoio para uma marcha das mulheres originárias na Argentina”.

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A polémica estalou depois de o capítulo do livro “Má conduta sexual na Academia”, publicado em abril por uma editora britânica e assinado por três ex-investigadoras do CES de Coimbra, denunciarem alegado assédio de académicos, um dos quais depois identificado como Boaventura Sousa Santos.

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