Cinco milhões de euros. É este o valor que a Bloomberg terá de pagar na sequência de uma investigação que declarou a agência noticiosa culpada de divulgar notícias falsas (ou fake news). A multa chega pelas mãos da Autoridade Francesa dos Mercados Financeiros (AFM), que já tinha revelado as suas suspeitas no passado mês de Novembro.
Na origem da investigação esteve a divulgação, em 2016, de um comunicado de imprensa falso referente à construtora Vinci. Segundo adianta o Financial Times, a AFM considera que a Bloomberg partilhou informação “que deveria saber ser falsa” e que “provavelmente impulsionaria o preço das acções da Vinci para um nível anormal ou artificial”.
Isto porque o comunicado revelava que a Vinci teria despedido o seu CFO Cristian Labeyrie e que estaria a reorganizar os seus resultados após descobrir um conjunto de irregularidades. As acções acabaram por saltar 18%.
O comunicado publicado pela Bloomberg foi replicado por outros meios noticiosos, propagando a notícia falsa sobre a construtora. Mesmo que a Vinci tenha negado a informação 24 minutos após o conteúdo ter sido partilhado online.
O Financial Times sublinha que esta é a primeira vez que é aplicada uma multa do género a um grupo de media em França. A AMF justifica a sua decisão com o facto de a Bloomberg ter divulgado o comunicado logo um minuto depois de o ter recebido: não houve verificação por parte dos jornalistas, apesar dos erros que o documento continha.
A Bloomberg já anunciou que pretende recorrer da decisão. “Estamos desiludidos com a decisão, que não reconhece o papel vital da imprensa numa sociedade democrática”, afirma a agência noticiosa. “A Bloomberg News foi um das vítimas de um logro sofisticado, tal como a companhia que foi directamente visada por quem cometeu a fraude e as muitas outras agências de imprensa que também foram vítimas do mesmo engano.”
A Bloomberg considera que a AMF deveria ter encontrado e punido o responsável pelo logro, em vez de penalizar a agência noticiosa.









