Black Friday: um dia de compras que se tornou dia de festa para os cibercriminosos

A Black Friday está a chegar a Portugal, e com ela o aumento de fraudes digitais e roubo de dados. Saiba como proteger o seu negócio com medidas eficazes.

Executive Digest
Outubro 8, 2025
10:01

O dia mais importante do ano para muitos consumidores tem um peso cada vez maior no calendário do retalho, e Portugal não é exceção. Mas o pico de transações tornou-se uma oportunidade fértil para a recolha fraudulenta de dados pessoais. 

As vendas online em Portugal durante a Black Friday mais do que duplicaram em 2024 em relação ao ano anterior, de acordo com dados da SIBS Analytics. A tendência, que é comum a outros países, deve-se a vários fatores: a pesquisa de produtos e preços é mais fácil, a compra pode ser feita a qualquer hora do dia, e os clientes não ficam dependentes da existência de uma loja física perto de si. 

O aumento de tráfego resultante deste cenário criou, porém, um ambiente fértil para as fraudes digitais. No contexto português, esta ameaça é agravada pela adesão acelerada ao comércio eletrónico durante a pandemia, que deixou muitas PME com sistemas insuficientemente preparados para ataques. 

Acresce a tudo isto o facto de a Black Friday criar uma pressão comercial, que leva as equipas a concentrarem-se nas vendas, relegando a segurança para segundo plano. A utilização massiva de cartões e do MB Way, potenciada pela urgência de comprar em quantidade, e rapidamente, facilita o aparecimento de elaborados esquemas de phishing e clonagem. 

As táticas mais comuns dos cibercriminosos incluem:

  • Phishing através de SMS ou e-mails que imitam as campanhas de retalhistas;
  • Skimming digital em sites de e-commerce menos protegidos;
  • Promoções falsas que circulam em redes sociais e conduzem a sites fraudulentos;
  • Ataques de ransomware a cadeias de distribuição e logística.

 

Como funciona o mercado negro digital

O roubo de dados durante a Black Friday não termina na sua recolha: existe todo um mercado paralelo onde a informação é convertida em lucro. Nos fóruns da dark web, os dados pessoais básicos dos consumidores (nome, e-mail e número de telemóvel) são vendidos em pacotes acessíveis, utilizados para campanhas de spam ou tentativas de fraude financeira.

Já as credenciais bancárias e os acessos a contas de e-commerce têm preços bem mais elevados, com os acessos iniciais a redes empresariais na União Europeia a ascender aos milhares de euros. Para os criminosos, os dados dos consumidores portugueses são particularmente apetecíveis: Portugal apresenta uma elevada taxa de adesão aos serviços digitais, embora ainda registe um baixo nível de consciencialização em cibersegurança. 

Evidentemente, não são apenas as empresas que estão em causa e que sofrem com as brechas na segurança digital. A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) tem lançado repetidos avisos sobre as fraudes ocorridas neste dia e lembra que “é muito fácil criar contas em redes sociais para publicitar lojas fictícias ou vender produtos contrafeitos e pirateados”. 

 

Os custos para as empresas portuguesas

As consequências para as empresas vão muito além do prejuízo imediato. Num mercado pequeno e competitivo, como o português, uma violação de dados pode ser fatal para a confiança do cliente, implicando:

  • Prejuízos financeiros: custos de investigação, multas da CNPD por incumprimento do RGPD e indemnizações.
  • Reputação: os consumidores portugueses são cada vez mais exigentes em matéria de privacidade. Uma falha de segurança pode ser o suficiente para os afastar de forma temporária ou definitiva de uma marca.
  • Parcerias: a inexistência de padrões de segurança adequados cria potenciais obstáculos com fornecedores internacionais. 

O custo médio global de uma violação de dados pode rondar os 4 milhões de dólares, de acordo com um estudo recente. Em Portugal, embora os números absolutos sejam mais baixos, o peso proporcional para as PME é muito mais elevado, arriscando comprometer a continuidade do negócio.

 

Como as empresas portuguesas podem proteger os seus dados

Face a estes dados, torna-se evidente que a Black Friday deve ser encarada não apenas como uma oportunidade de vendas, mas também como um teste à resiliência digital. Aqui estão algumas recomendações práticas que o ajudarão a ter nota positiva:

  1. Reforce a proteção do tráfego de dados com a ajuda de uma VPN (rede privada virtual). É especialmente importante ter implementada uma VPN na Black Friday , quando as equipas trabalham remotamente ou a partir de redes inseguras.
  2. Segmente os sistemas críticos: as plataformas de pagamento e bases de dados dos clientes devem ser isoladas, a fim de minimizar o risco da propagação de ataques.
  3. Monitorize os seus sistemas em tempo real, através de ferramentas de deteção de anomalias que identifiquem padrões de fraude durante os picos de vendas.
  4. Utilize a autenticação multifator (MFA), nomeadamente em processos administrativos e por parte de colaboradores críticos.

A revisão constante de plugins e atualizações, a formação e treino de colaboradores e a criação de planos de resposta a incidentes, incluindo protocolos claros de comunicação com clientes e autoridades, em caso de violação, são outras medidas a pôr em prática. 

 

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