Bispo detido no aeroporto após alegado desvio de esmolas para luxo e prostituição

A detenção do bispo Emmanuel Shaleta, líder da Eparquia caldeia de São Pedro o Apóstolo, em El Cajon, no estado norte-americano da Califórnia, está a provocar forte polémica e indignação na comunidade católica local.

Pedro Gonçalves

A detenção do bispo Emmanuel Shaleta, líder da Eparquia caldeia de São Pedro o Apóstolo, em El Cajon, no estado norte-americano da Califórnia, está a provocar forte polémica e indignação na comunidade católica local. O religioso, de 69 anos, foi detido pelas autoridades a 5 de março de 2026 no Aeroporto Internacional de San Diego, quando tentava abandonar o país, no âmbito de uma investigação que aponta para um alegado esquema de desvio de fundos da igreja, fraude financeira e branqueamento de capitais.

O caso começou a ganhar forma no verão de 2025, quando um representante da catedral apresentou documentação às autoridades que indicava possíveis irregularidades financeiras na gestão da diocese. Registos do Gabinete do Xerife do Condado de San Diego apontavam para o desaparecimento de centenas de milhares de dólares, o que desencadeou uma investigação que acabou por expor um sistema elaborado de desvio de verbas pertencentes à instituição religiosa.

Segundo os documentos analisados pelas autoridades, Shaleta terá utilizado vários mecanismos para transferir dinheiro da igreja para benefício próprio. Entre as práticas identificadas pelas investigações estão a apropriação de pagamentos de rendas provenientes de propriedades da igreja, que terão sido canalizados diretamente para contas bancárias pessoais do bispo.

Para disfarçar o desfalque financeiro, o prelado teria também recorrido à conta de caridade da própria paróquia, emitindo cheques destinados a “reembolsar” a catedral. Esse dinheiro era originalmente destinado a apoiar pessoas em situação de necessidade, o que agravou o impacto do caso na comunidade religiosa.

As autoridades estimam que o valor total desviado possa situar-se entre 400 mil e um milhão de dólares, embora o montante exato ainda esteja a ser apurado no âmbito do processo judicial.

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Alegações de vida dupla e visitas a bordéis
Paralelamente às suspeitas de fraude financeira, a investigação trouxe também à luz alegações sobre a vida pessoal do bispo. Investigadores e meios de comunicação especializados indicam que Shaleta era frequentador regular do Hong Kong Gentlemen’s Club, um conhecido bordel localizado em Tijuana, no México, cidade situada perto da fronteira com a Califórnia.

Estas revelações intensificaram o impacto do escândalo, uma vez que o dinheiro alegadamente desviado da igreja poderá ter sido utilizado para financiar deslocações e despesas associadas a essas visitas.

Após a detenção no aeroporto, Shaleta foi formalmente acusado de oito crimes de peculato, oito crimes de branqueamento de capitais e um agravante de crime de colarinho branco de elevada gravidade. O bispo encontra-se atualmente detido na Prisão Central de San Diego.

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O tribunal fixou a fiança em 125 mil dólares, mas determinou que qualquer pagamento deverá ser acompanhado de prova de que os fundos utilizados têm origem lícita.

Entretanto, o Vaticano confirmou que o Papa Leão XIV aceitou a renúncia de Emmanuel Shaleta ao cargo de bispo da Eparquia caldeia de São Pedro o Apóstolo. A renúncia tinha sido apresentada em fevereiro, semanas antes da detenção, no contexto de uma investigação interna iniciada pela Santa Sé.

De acordo com informações divulgadas posteriormente, o Vaticano optou por adiar o anúncio público da aceitação da renúncia até esta semana para evitar interferências na investigação policial em curso.

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