A Bielorrússia iniciou exercícios militares em coordenação com a Rússia envolvendo unidades preparadas para o uso de armas nucleares e operações de apoio nuclear, anunciou esta segunda-feira o Ministério da Defesa bielorrusso, citado pelo ‘Kyiv Post’. As manobras surgem num momento de tensão acrescida no flanco leste da NATO e poucos dias depois de Volodymyr Zelensky ter acusado Moscovo de tentar envolver Minsk de forma mais direta na guerra contra a Ucrânia.
Segundo o Ministério da Defesa da Bielorrússia, o objetivo é aumentar a prontidão das Forças Armadas para utilizar “meios modernos de destruição, incluindo munições especiais”, expressão habitualmente associada a armamento nuclear tático. O exercício é liderado pelo chefe do Estado-Maior bielorrusso, também primeiro vice-ministro da Defesa.
As manobras contam com forças de mísseis e unidades da aviação militar. Durante o treino, militares bielorrussos e russos deverão praticar a entrega de munições nucleares e os procedimentos preparatórios para a sua eventual utilização. Minsk afirma ainda que uma das componentes principais será testar a capacidade de executar missões a partir de locais não preparados no território bielorrusso.
O exercício deverá incluir ações de ocultação, deslocações a longa distância e cálculos operacionais ligados ao posicionamento de forças e equipamento. As autoridades bielorrussas descrevem a operação como uma atividade planeada no âmbito do chamado “Estado da União” com a Rússia e garantem que não é dirigida contra terceiros nem representa ameaça à segurança regional.
A explicação não dissipa, porém, todas as dúvidas. A Bielorrússia é formalmente um país sem armas nucleares próprias, mas acolhe armas nucleares táticas russas no seu território. Por isso, permanece em aberto a questão de saber como pilotos e operadores de mísseis bielorrussos podem estar treinados e certificados para missões de entrega nuclear mantendo-se, ao mesmo tempo, o princípio de controlo russo sobre esse arsenal.
O contexto regional agrava a leitura do exercício. Na passada sexta-feira, Zelensky afirmou que os serviços de informação ucranianos têm provas de novas tentativas russas para arrastar a Bielorrússia para a guerra contra a Ucrânia e até para eventuais operações futuras contra países da NATO. Segundo o Presidente ucraniano, Moscovo estará a analisar cenários que poderiam partir de território bielorrusso em direção aos setores de Chernihiv e Kiev, no norte da Ucrânia, ou contra um Estado-membro da Aliança Atlântica.
A tensão aumentou também depois de Alexander Lukashenko ter anunciado uma mobilização rotativa de unidades militares selecionadas, com o objetivo de as preparar para combate. “Vamos mobilizar seletivamente unidades, as Forças Armadas, para as preparar para a guerra. Se Deus quiser, será possível evitá-la. Estamos todos a preparar-nos para a guerra”, afirmou o líder bielorrusso, segundo a agência estatal Belta. Para Kyiv, o novo exercício nuclear confirma que a Bielorrússia continua a ser uma peça central da pressão militar russa sobre a Ucrânia e sobre a fronteira oriental da NATO.













