Segundo a segunda edição do Relatório Macroeconómico de Portugal da BFF Insights, Portugal entrou em 2026 com contas públicas particularmente sólidas, apesar de um contexto económico mais desafiante. Segundo o relatório, a dívida pública caiu para 89,7% do PIB no final de 2025, o valor mais baixo desde 2010, enquanto o excedente orçamental atingiu 0,7% do PIB, superando as previsões nacionais e europeias. Estes resultados reforçaram a confiança dos mercados e contribuíram para condições de financiamento mais favoráveis para o país.
Apesar deste desempenho orçamental, a BFF Insights alerta para sinais de abrandamento económico. No primeiro trimestre de 2026, o PIB registou crescimento nulo, refletindo o impacto da subida dos preços da energia, da fragilidade da procura externa e das tensões no Médio Oriente. O documento destaca ainda o regresso da pressão inflacionista, com a inflação a atingir 3,4% em abril, bem como o aumento acumulado dos custos do trabalho desde 2019, fatores que continuam a pesar sobre a competitividade da economia portuguesa.
Ainda assim, o investimento foi apontado como o principal motor da atividade económica, impulsionado pela aceleração de projetos antes do prazo de execução do PPR. Para sustentar esta dinâmica nos próximos anos, o Governo lançou o Programa de Transformação, Recuperação e Resiliência, que prevê um investimento de 22,6 mil milhões de euros até 2034 para apoiar projetos estruturantes e a reconstrução após a tempestade Kristin.
A BFF Insights identifica, no entanto, vários riscos para a economia portuguesa, entre os quais o enfraquecimento do setor externo, a desaceleração do turismo, o aumento das hipotecas de maior risco e algumas vulnerabilidades orçamentais de longo prazo. Ainda assim, o relatório sublinha a resiliência do mercado de trabalho e a robustez do sistema bancário nacional, que continua a apresentar dos níveis de liquidez mais elevados da zona euro.






