BES: Banco de Portugal disponível para colaborar de imediato. Mas tem de ser por decisão judicial

Banco de Portugal (BdP) aponta que está vinculado ao cumprimento do quadro legal que rege a sua atividade, designadamente o respeito pelo dever legal de segredo profissional.

Sónia Bexiga

Depois das recentes críticas do Bloco de Esquerda ao governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, de que estaria a recusar-se enviar ao parlamento a auditoria interna à atuação na resolução do BES, e da apresentação de um requerimento para ter acesso ao documento, o regulador vem esclarecer a sua posição, frisando, desde logo, que está disponível para colaborar, assim seja decidido pelo tribunal que pode quebrar o segredo a que está obrigado.

Assim, o Banco de Portugal (BdP) aponta, em comunicado, que está vinculado ao cumprimento do quadro legal que rege a sua atividade, designadamente o respeito pelo dever legal de segredo profissional.

“A este propósito, rege, essencialmente, o artigo 80.º do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras, o qual admite nos respetivos n.ºs 2, 4 e 5 situações de derrogação a esse dever de segredo, as quais não se afiguram verificar-se no quadro do Requerimento do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda”, esclarece o BdP.

“A violação do referido dever de segredo implica responsabilidade criminal nos termos do artigo 195.º do Código Penal”, detalha ainda

O regulador sublinha ainda que  “Relatório da Comissão de Avaliação das Decisões e atuação do Banco de Portugal na Supervisão do Banco Espírito Santo” não se trata de uma auditoria interna, nem tem como objeto de análise o processo de resolução do BES.

Continue a ler após a publicidade

A respeito da entrega pelo Banco de Portugal do “Relatório da Comissão de Avaliação das Decisões e atuação do Banco de Portugal na Supervisão do Banco Espírito Santo”, o banco diz estar a aguardar a decisão judicial que aprecie e decida acerca da eventual quebra do dever legal de segredo.

“A ser decidida essa quebra do dever legal de segredo, o Banco de Portugal colaborará, de imediato, com o Tribunal, ficando, nos exatos termos dessa decisão judicial, autorizado a disponibilizar, desde logo, esse documento ao Tribunal”, conclui.

Recorde-se que ontem, quarta-feira, a deputada do BE Mariana Mortágua veio explicar que a resposta negativa que o partido recebeu do supervisor e as omissões na auditoria da Deloitte conhecida na terça-feira são dois dos motivos que justificam a decisão dos bloquistas de propor uma nova comissão parlamentar de inquérito ao Novo Banco.

Continue a ler após a publicidade

“Há um documento essencial para apurar as responsabilidades do Banco de Portugal na resolução do BES. Esse documento é uma auditoria interna, feita pelo próprio Banco de Portugal, à atuação do regulador na resolução do BES. O parlamento há anos que pede ao Banco de Portugal esse relatório de auditoria”, começou por explicar.

De acordo com Mariana Mortágua, o Governo já pediu esse relatório, o primeiro-ministro, António Costa, “já revelou publicamente o pedido do Governo e a sua curiosidade face a esse relatório” e “o PS já disse publicamente que estava contra a decisão do antigo governador de manter a auditoria encerrada num cofre”.

“E por isso, o BE refez o requerimento para que, com uma nova administração e um novo governador, o Banco de Portugal enviasse essa auditoria ao parlamento”, lembrou a bloquista, referindo-se ao requerimento que deu entrada na semana em que o antigo ministro das Finanças Mário Centeno tomou posse como governador do Banco de Portugal.

 

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.