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Benchmark is dead. Long Life to Benchmark!

Por Rui Calmão, director na Axians Portugal

Revi recentemente um filme que se tornou célebre nos anos 90 e que retrata a história de um jovem determinado em descobrir a verdade: “A Few Good Men”.

Quando vejo governos a restringir o acesso à informação, quando me deparo com notícias sensacionais, mas distorcidas de realidade, ou empresas a orientar o seu sucesso à conta de histórias de terceiros, percebo que o mundo não mudou assim tanto.

O que mudou é que vivemos hoje um ciclo de desenvolvimento em que o acesso à informação está mais facilitado e tudo acontece muito mais rápido (o bom e o mau), criando várias percepções da realidade. Uns reagem com insegurança a esta facilidade e optam por escondê-la, outros preferem desviar a atenção e desinformar, outros preferem assumir a informação como facto absoluto e prescindem de viver a sua própria realidade.

E o meu ponto de reflexão é:

Queremos realmente lidar com a verdade? Queremos ter acesso aos factos? E temos maturidade para interpretá-los? E o que fazemos com eles? Vamos viver de realidades alheias ou pôr-nos a adivinhar o futuro das nossas organizações?

O valor supremo da informação é reconhecer que, além das motivações políticas, rivalidades étnicas, ambição a cargos, lucros obstinados, ou outras crenças modernas, as organizações (no sentido mais lato) devem, acima de tudo, descobrir a verdade do seu caminho de desenvolvimento.

E o ponto é que a CONFIANÇA dos seus stakeholders, sejam accionistas, colaboradores, parceiros ou clientes, só se alcança se cada organização for capaz de determinar A SUA VERDADE.

Então vejamos as razões fundamentais que impedem esse caminho:

Em primeiro lugar vemos uma noção tímida generalizada das empresas em tirar partido do uso dos seus dados. Outros optaram por desenvolver o seu ciclo de desenvolvimento a partir de uma caixa hermética esquecendo-se que o verdadeiro futuro se faz num ambiente de colaboração e partilha. Outros optam por copiar aquilo que outros dizem que fazem e que teimosamente não encaixa na verdade das organizações.

É exactamente por isso que existe uma lacuna tão grande entre empresas que estão a encontrar o seu caminho e a grande maioria não consegue. Como nem todos serão gigantes online que ostentam um modelo progressista e, tendo como certo, que haverá uma transferência gradual das funções críticas do negócio para um espaço cada vez mais digital. A verdade passa por cada organização descobrir o seu próprio ciclo de desenvolvimento.

Assistiremos, desta feita, a uma mudança do paradigma de competitividade das empresas. Ao invés de seguirmos um modelo obcecado pelo “hiper-benchmarking”, que traz a segurança de algo já entregue com desafios de adaptação ao seu contexto, vamos ver as empresas a assumir o seu pioneirismo como posicionamento no mercado e a fazer as suas escolhas sobretudo com base na originalidade e autenticidade, tomando este benchmark como mais uma acendalha para o seu processo criativo, assegurando que essa forma de estar lhe confere a CONFIANÇA necessária para atrair os melhores talentos e assegurar que consegue diferenciar-se em qualquer mercado.

O benchmark mudou. Assistiremos, portanto, a uma nova forma de desenvolvimento e progresso assente numa capacidade analítica cada vez mais reforçada para analisar a informação, auxiliada por acesso a inteligência artificial, e a desenhar a estratégia de negócio com base em criatividade centrada no talento humano e orientado ao consumidor. Assim se descobre o espaço certo no mercado e ritmo de recuperação económica.

 

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