Várias instâncias governamentais do Líbano já haviam sido informadas sobre o nitrato de amónio alojado num armazém no porto de Beirute, incluindo o Ministério da Justiça, avança a ‘CNN’.
A informação soma-se a um crescente corpo de evidências, incluindo e-mails e documentos de tribunais públicos, de que as autoridades foram notificadas sobre um carregamento de milhares de toneladas de nitrato de amónio – descrito por um analista russo como uma “bomba flutuante” – relacionado com a explosão catastrófica deste terça – feira na capital libanesa.
Após a explosão, o primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab, disse que era “inaceitável” que um carregamento de cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amónio tenha sido armazenado num depósito durante seis anos. No entanto, documentos obtidos pela ‘CNN’ mostram que membros do governo e do sistema judicial libaneses foram informados de grandes quantidades de material perigoso ali armazenado.
Em 2013, um navio de propriedade russa, MV Rhosus, foi detido em Beirute com uma carga de 2.750 toneladas métricas de nitrato de amónio, usado na agricultura industrial e mineração. A carga teria como destino Moçambique, mas o navio parou em Beirute devido a dificuldades financeiras.
A Baroudi & Associates, que representou a tripulação do navio russo, publicou um comunicado, esta quarta-feira, dizendo que enviaram cartas em julho de 2014 para o Porto de Beirute e para o Ministério dos Transportes “alertando sobre os perigos dos materiais transportados no navio”.
Afirmam ainda que receberam uma carta naquele mês “do Diretor-Geral de Transportes Terrestres e Marítimos informando que enviou ofícios ao Ministério da Justiça pedindo para fazerem o que fosse necessário para que o navio não corresse qualquer risco de naufrágio, expondo então o porto ao perigo da sua carga”.
A CNN entrou em contato com o Ministério da Justiça, Ministério dos Transportes e Porto de Beirute do Líbano para comentar, mas não obteve resposta.



