A viver atualmente em Beirute, o fotojornalista português João Sousa, testemunhou o cenário de destruição e os momentos de desespero que se vivem na capital libanesa.
Segundo o fotojornalista, apesar dos meios de comunicação social dizerem que a explosão foi um acidente, isto parece… não sei, temos mesmo de descobrir o que foi isto”, acrescentando que “há fortes suspeitas de que isto foi uma intervenção de Israel mas não confirmação, para já não se sabe”.
João Sousa deu ainda conta de que há dias que se sabia que estava prevista a chegada de uma embarcação do Irão para providenciar mantimentos e munições para o Hezbollah em terreno do Líbano, nomeadamente no sul. Uma situação para a qual Israel estaria preparada mas, segundo João Sousa, tal não chegou a acontecer.
Sobre o que o rodeia hoje, descreveu que “no centro de Beirute, é o caos em todo o lado, esta é uma área bastante ativa. Neste momento, parece uma zona de guerra. Ainda há muito fumo, muitas pessoas feridas, muito sangue e muitos vidros partidos. E com tantos vidros a cair ainda dos edifícios torna ainda mais perigoso andar por aqui”, sublinhou.
Num primeiro contacto do fotojornalista com a TVI, ontem, nas horas que se seguiram à explosão, já dava conta dos hospitais estarem sobrecarregados. E de muita gente pelas ruas, em choque e a chorar, desorientadas, sem saber o que fazer.
Até 300.000 pessoas terão ficado sem casa em Beirute devido às explosões que abalaram na terça-feira a cidade, matando mais de 100 cidadãos, indicou hoje o governador da capital do Líbano, Marwan Abboud.
“Perto de metade de Beirute está destruída ou danificada”, considerou o governador, estimando que 250 a 300.000 pessoas tenham ficado sem abrigo.
Abboud disse à agência France-Presse que deu uma volta pela cidade, calculando que “os danos podem ascender a entre três e cinco mil milhões de dólares (2,5 a 4,2 mil milhões de euros)”.
Precisou que aguarda uma avaliação de especialistas e de engenheiros.
Duas fortes explosões sucessivas sacudiram Beirute na terça-feira, causando mais de uma centena de mortos e mais de 4.000 feridos, segundo o último balanço feito pela Cruz Vermelha.
As violentas explosões terão tido origem em materiais explosivos confiscados e armazenados há vários anos no porto da capital libanesa.



