O governo do Líbano, incluindo funcionários públicos e juízes, já tinha conhecimento da existência de nitrato de amónio, substância que causou a explosão desta terça-feira em Beirute, há pelo menos seis anos, de acordo com uma investigação da rede de televisão árabe Al Jazeera.
A cadeia televisiva realizou uma compilação de vários documentos importantes, nomeadamente materiais públicos recolhidos nos últimos anos e concluiu que a substância já era conhecida por parte das autoridades libanesas, que sabiam do perigo que representava, constituindo um risco de explosão iminente.
A Al Jazeera cita órgãos oficiais responsáveis pelo porto de Beirute, que revelam que o nitrato de amónio entrou no país em 2013, através de um navio proveniente da Rússia, que atracou na capital libanesa devido a questões técnicas. Depois do incidente a tripulação deixou o navio ao abandono e consequentemente, a carga explosiva também.
De acordo com a mesma publicação, as autoridades da Administração Aduaneira do Líbano pediram em 2014, uma solução à Justiça para a carga abandonada no porto, sem que tenha sido dada qualquer resposta. Seguiram-se mais cinco solicitações, a última em Outubro de 2017, que davam conta do «perigo» de «deixar as mercadorias onde estão».
As autoridades sugeriam como alternativas a exportação da substância, bem como a entrega da mesma ao exército libanês ou a uma outra empresa privada de explosivos do país. Pelo que se sabe, até essa data não houve nenhum retorno aos pedidos feitos.





