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Lisboa, 06 mai 2026 (Lusa) – O presidente do BCP disse hoje que o banco tem apenas seis casos de incumprimento em crédito à habitação a jovens com garantia pública, considerando que o banco não está a correr riscos maiores com estes empréstimos.
Miguel Maya afirmou saber que ainda é cedo para o balanço do incumprimento neste crédito mas avançou que, dos dados até ao momento, o banco tem “seis situações com garantia em que as coisas não estão a correr bem”, referindo que se deveram às razões habituais de incumprimento no crédito à habitação (desemprego, divórcio ou doença).
Para já, o banco está a negociar com os clientes e não acionou a garantia pública.
O presidente do BCP respondia a perguntas sobre os riscos dos créditos à habitação a jovens com garantia do Estado, afirmando que no BCP a proporção de incumprimento a mais de 90 dias é exatamente a mesma entre créditos à habitação própria permanente com e sem garantia pública (cerca de 0,02%).
Segundo dados do Banco de Portugal, o número de créditos concedidos a clientes com perfil de risco elevado passou de 3% em 2024 para 21% em 2025, o que atribui à garantia do Estado a crédito à habitação a jovens, pois os jovens que beneficiam deste regime financiam no banco a quase totalidade da casa.
Segundo Maya, nestes casos, o banco não avalia o risco pela proporção financiada mas pela capacidade desses clientes cumprirem o pagamento da dívida.
O presidente do BCP exemplificou com um crédito à habitação que financia a casa a mais de 90% do preço mas em que os membros do jovem casal trabalham ambos como engenheiros aeronáuticos, considerando que efetivamente não é arriscado pois têm capacidade de pagar a dívida.
“Nós não queremos fazer um crédito para estar em incumprimento”, afirmou aos jornalistas.
O BCP emprestou 300 milhões de euros em crédito à habitação com garantia pública no primeiro trimestre deste ano.
O gestor mostrou ainda ser favorável à continuação da garantia pública pois “jovens em início de carreira não devem ficar condicionados em comprar casa por não terem os 10%” da entrada da casa.



