O BCE poderá endurecer a luta contra a inflação na reunião desta quinta-feira com uma subida das taxas de juro de 75 pontos base, segundo os analistas, que apontam para um aumento mínimo de 50 pontos base.
O Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) reúne esta quinta-feira e deverá voltar a subir as taxas de juro, depois de o ter feito em julho pela primeira vez em 11 anos.
Os analistas apontam para um aumento entre 50 pontos base e 75 pontos base.
“Mesmo que as pombas do BCE tenham ficado muito silenciosas nas últimas semanas, esperamos que o BCE ‘apenas’ suba 50 pontos base na próxima semana. Isso seria um compromisso, mantendo a porta aberta para novos aumentos das taxas. 75 pontos base parecem uma ponte longe demais para os pombos, mas não podem ser totalmente excluídos”, assinala Carsten Brzeski, responsável global de macroeconomia do ING, numa nota de ‘research’.
Contudo, e tendo em conta as intervenções de vários responsáveis do BCE, o mercado admite mesmo uma subida de 75 pontos base, o que seria o maior movimento desta dimensão, desde que em dezembro de 2008 o banco central decidiu em sentido inverso descer as taxas de juro em 75 pontos base.
“Antecipamos uma subida de 75 pontos base, necessária devido ao atraso na normalização da política monetária e à fraqueza do euro, a qual, ligeiramente abaixo da paridade face ao dólar americano, contribui para a inflação importada”, refere Franck Dixmier, diretor global de investimentos em obrigações da Allianz Global Investors, num comentário a que a Lusa teve acesso.
O analista sublinha que o aumento dos juros de 75 pontos base é antecipado a 90% pelos mercados e não deve ser uma grande surpresa.
“Porém, um discurso muito beligerante (hawkish), como esperamos que seja, pode contribuir para uma correção em alta nas expetativas de aumentos futuros dos juros e alimentar a correção das obrigações na zona euro a que assistimos desde o início de agosto”, antecipa.
Também os analistas do Goldman Sachs antecipam que o banco central intensifique o ritmo das subidas e aumente as taxas em 75 pontos base nesta reunião, destacando que o quadro da inflação se deteriorou ainda mais desde a reunião de julho, com a inflação ‘core’ a subir para 4,3% em termos anuais.
“Dada a recessão que se aproxima e as preocupações soberanas persistentes, esperamos que o BCE desacelere para um aumento de 50 pontos base em outubro, seguido por mais dois aumentos de 25 pontos base para uma taxa final de 1,75%”, referem os analistas numa nota de ‘research´ a que a Lusa teve acesso, admitindo, contudo, que um crescimento mais resiliente, intensificar das pressões inflacionistas ou evidências mais claras de efeitos de segunda ordem podem exigir uma política mais restritiva.
Em julho, O BCE decidiu subir as suas taxas de juro em 50 pontos base, com efeitos a partir de 27 de julho.
A taxa de juro das principais operações de refinanciamento passou de 0% para 0,50%, a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez ficou agora em 0,75% e a taxa de depósito que estava em terreno negativo (-0,50%) subiu para 0%.
O BCE irá ainda atualizar as projeções económicas da inflação e do Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro.












