BCE garante que pode reforçar apoios de emergência antes de junho

O Banco Central Europeu (BCE), nas atas reveladas esta sexta-feira, da sua última reunião no final de abril, deixa claro que está “inteiramente preparado para aumentar o peso do Programa de Compra de Emergência Pandémica (PEPP) e ajustar a sua composição, e potencialmente outros instrumentos, se, à luz das informações disponibilizadas antes da reunião de junho, considerar que a escala do estímulo está aquém do necessário”.

A ata mostra ainda que o BCE concluiu que, embora as compras de dívida de emergência devido à pandemia tenham contribuído para relaxar as condições financeiras e estimular a emissão, está preocupado com “as condições financeiras para empresas e bancos que são mais severas do que antes da propagação da pandemia”, citam agências internacionais.

Preocupado com o facto de o número de títulos corporativos conhecidos como “fallen angels – anjos caídos”, ou seja, títulos de empresas que perderam o grau de investimento, ter vindo a aumentar, observa que as empresas com grau de investimento têm atualmente spreads que já duplicam os que tinham antes da crise, refletindo “as expectativas de que haverá um aumento notável nas descidas nas classificações de crédito” .

A entidade garante que as compras de dívida do eurosistema, compostas pelo BCE e pelos bancos centrais nacionais, ajudem a “preservar uma transmissão suave da política monetária em todas as partes da área do euro”.

O Conselho do BCE também observou na reunião de final de abril que os spreads da dívida soberana de dez anos haviam aumentado na maioria dos países da área contra a dívida alemã, que é a que serve referência, independentemente do seu rating de crédito.

Em algumas jurisdições, os spreads de títulos soberanos haviam aumentado para níveis vistos antes que as compras de dívida de emergência pandámica fossem anunciadas devido às expectativas de que as emissões aumentariam e devido à incerteza económica.

O BCE também viu “sinais de que os prémios de liquidez possivelmente exacerbaram a pressão ascendente sobre os prémios a prazo, aumentando as necessidades de emissão” da dívida dos governos para financiar medidas de apoio aos negócios e para benefícios sociais.

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