O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE) Philip Lane é da opinião que o organismo deveria aumentar as taxas de juro a um “ritmo constante” até ao final do seu ciclo de aumentos, em parte de forma a manter espaço para corrigir a trajetória política se as circunstâncias mudarem.
“Um ritmo constante – que não é nem demasiado lento nem demasiado rápido – na redução da diferença face à taxa terminal é importante por várias razões”, disse Lane, sem manifestar preferência pela decisão política de 8 de setembro, citado pela ‘Reuters’.
“A dimensão apropriada dos aumentos individuais será tão grande quanto maior for a diferença para a taxa terminal e mais enviesados forem os riscos para o objectivo da inflação”, disse, numa conferência em Barcelona.
“Embora os riscos ascendentes da inflação sejam atualmente mais intensos do que os descendentes, se os dados recebidos (…) exigirem uma alteração para baixo na taxa terminal, isto seria mais fácil de lidar sob uma abordagem passo a passo”, disse o responsável, acrescentando que “uma trajetória de ajustamento passo-a-passo em direcção à taxa terminal também facilita a realização de correções intercalares, se as circunstâncias mudarem”.
Lane concluiu a intervenção sobre o tema a afirmar que, apesar de atualmente a inflação estar elevada, os indicadores de expectativas de longo prazo permanecem próximos do objectivo de 2% do BCE, uma vez que os agentes económicos parecem compreender que os fatores temporários por detrás do aumento irão desvanecer-se e o BCE fará o seu trabalho.
Recorde-se que o Banco Central Europeu (BCE) anunciou o aumento de 50 pontos base nas taxas de juro em julho. Depois de 11 anos sem qualquer subida, o BCE cumpre com o sinal dado e com as previsões dos economistas, alavancando assim as taxas de juro com o intuito de combater a inflação. Desta forma, a taxa de juro de referência passa a ser de 0,50%, depois de vários anos onde estiveram situadas nos 0%.
Embora se esperasse um movimento semelhante em setembro até muito recentemente, já se diz que alguns dos responsáveis de política monetária do banco central querem discutir um aumento das taxas de juro de 75 pontos base na reunião de 8 de setembro, mesmo com os riscos de recessão, devido às perspetivas de inflação que se estão a agravar.




