Donald Trump rejeita – pelo menos publicamente – qualquer realidade que vá contra os seus interesses e começa a dar sinais de que poderá repetir o que aconteceu em 2020: ou seja, negar uma eventual, embora ainda distante, derrota em novembro contra a democrata Kamala Harris.
A figura política que o multimilionário criou tem como pilar a negação dos resultados das eleições presidenciais de 2020, quando foi derrotado por Joe Biden, isto apesar de os tribunais, assim como o Departamento de Justiça e até parte do Partido Republicano, não terem encontrado o enorme “roubo eleitoral” que o teria levado a perder as eleições para a Casa Branca.
A posição do candidato republicano é que só aceitará os resultados se as eleições forem “justas, legais e boas”, como Trump afirmou no únido debate que teve com Joe Biden – no entanto, também insistiu que se as eleições forem assim, Trump seria o único vencedor possível.
Após a saída de cena de Joe Biden, há três semanas, a dinâmica da campanha mudou: a chegada de Kamala Harris foi um alívio para o Partido Democrata e causou entusiasmo entre os eleitores, concedendo novo impulso nas sondagens que eliminou a vantagem que Trump tinha sobre Biden.
Face a esta situação, Trump e a sua campanha começaram a promover mensagens de fraude e batota entre as suas bases, exatamente como o fez em 2020, para alimentar a ideia de roubo eleitoral caso não vença – um exemplo recente envolve alegações infundadas e bizarras sobre a participação em comícios de Harris. A nova candidata encheu instalações desportivas e foi recebida por multidões na sua recente viagem por vários estados importantes, da Pensilvânia ao Arizona.
“Alguém reparou que Kamala fez batota no aeroporto?”, escreveu Trump, na sua rede social, sobre um recente acontecimento do seu rival num hangar do aeroporto de Detroit (Michigan). “Não havia ninguém à frente do avião e ela fingiu com inteligência artificial e mostrou uma multidão de supostos seguidores, mas eles não existiam.”
“Ela é uma batoteira”, insistiu Trump na sua mensagem, em maiúsculas. A armadilha, segundo a campanha do ex-presidente, está também na própria ascensão de Harris como candidata: de acordo com Trump e alguns aliados republicanos, foi “inconstitucional” e que o Partido Democrata “roubou” a Biden a nomeação que obteve nas primárias. “Trump disse a um assistente que os democratas estavam a tentar roubar-lhe a eleição novamente”, destacou o ‘The New York Times’ numa reportagem este fim de semana sobre a forma como o ex-presidente lidou com a chegada de Harris.














