Donald Trump estabeleceu-se como o principal favorito para garantir a indicação republicana de 2024, o que gerou especulações sobre quem poderá ser selecionado para vice-presidente se o republicano lutar pela Casa Branca.
Recorde-se que Mike Pence serviu como vice-presidente de Trump durante a sua administração, entre 2017 e 2021, mas a relação terminou depois de este ter certificado a vitória de Joe Biden nas eleições de 2020, enquanto Trump alegava que as eleições tinham sido fraudulentas.
Após a vitória de Trump em New Hampshire, as casas de apostas ‘Betfair’ do Reino Unido divulgaram as probabilidades sobre quem será o ‘braço-direito’ em 2024: a deputada Elise Stefanik, de Nova Iorque, é apontada como a favorita, com uma probabilidade de 9/2, seguida pela governadora de Dakota do Sul, Kristi Noem, com 6/1. O ex-candidato presidencial do Partido Republicano, Vivek Ramaswamy, surgiu em terceiro lugar com 15/2, o ex-secretário de Habitação da era Trump, Bem Carson, em 10/1, Haley em 11/1 e o senador da Carolina do Sul, Tim Scott, com 14/1.
Mas então, quem poderá escolher Trump? De acordo com Christopher Devine, professor associado de ciências políticas na Universidade de Dayton, referiu, em declarações à revista ‘Newsweek’ previu que Trump iria enfatizar a lealdade em detrimento da competência na sua escolha. “Deveria escolher um companheiro que seja bem qualificado para ser vice-presidente e presidente, se necessário”, salientou Devine. “A nossa investigação mostrou que os eleitores recompensam os candidatos presidenciais por fazerem uma escolha responsável – e penalizam-nos por escolherem alguém que claramente não está à altura do cargo.”
“Trump tem muitos aspirantes a vice-presidentes bem qualificados para escolher, incluindo Tim Scott, Kristi Noem e até Nikki Haley. Mas a minha sensação é que vai dar prioridade à lealdade – ou talvez o servilismo. Recorde-se de Mike Pence: foi leal a Trump desde o momento em que foi convidado até o final de 2020; nunca o contradisse, criticou ou rompeu com o presidente. No entanto, disse que não uma vez, a 6 de janeiro, e isso foi o suficiente para torná-lo um vilão aos olhos de Trump”, referiu o responsável.
Thomas Whalen, especialista em política americana da Universidade de Boston, salientou que a escolha de Trump deve recair em alguém que agrade a setores do eleitorado que normalmente tem dificuldade em atrair. “Ironicamente, a melhor escolha de vice-presidente é Nikki Haley, mas isso é impossível devido à aversão mútua que compartilham um pelo outro”, frisou.
Já o professor J. Wesley Leckrone, especialista em Governo dos EUA na Universidade Widener, indicou que Trump provavelmente escolherá entre um candidato carismático que atraia a sua base ou um político mais brando para acrescentar seriedade. “Parte da decisão sobre a escolha dependerá se Trump sente que precisa trazer os republicanos rebeldes de volta ao grupo, escolhendo um político experiente e moderadamente sóbrio que possa defender as suas políticas e ao mesmo tempo adicionar uma leve seriedade”, disse.
Há académicos que defendem que Trump poderia fazer uma escolha surpresa, como a governadora do Arkansas, Sarah Huckabee Sanders, ou mesmo o seu antigo rival, DeSantis. “Trump tem muitas opções, mas não consigo imaginá-lo a escolher alguém que decida desafiá-lo nas primárias”, referiu Heather Brown, professora associada de políticas públicas na City University of New York. “Acho que ele quer alguém em quem confie, que seja um bom comunicador e que sempre tenha coisas boas a dizer sobre ele.”




