Bastonária dos Enfermeiros: “Fornecedores de garrafas de oxigénio já não têm capacidade para satisfazer as encomendas dos hospitais de Lisboa”

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros reagiu ao colapso na rede de oxigénio do Hospital Amadora-Sintra. Ana Rita Cavaco diz que esta era uma situação expectável, adiantando que o alerta já tinha sido dado, mas que o Governo recusou o cenário.

“Na semana passada a ordem alertou que havia dificuldades no fornecimento de oxigénio, que devido aos doentes que temos em excesso internados, há uma grande pressão sobre o consumo de oxigénio”, relata a bastonária à TVI.

E acrescenta: “tivemos acesso a emails de empresas fornecedoras de garrafas de oxigénio que diziam já não ter capacidade para satisfazer todas as encomendas dos hospitais de Lisboa”.

Segundo Ana Rita cavaco, a Ordem dos Enfermeiros avisou o Governo, “alertámos para isso, e mais uma vez aquilo que o Governo fez foi dizer que não era verdade.”

A bastonária diz ainda que “não há só doentes do Amadora-Sintra a serem transferidos para o Santa Maria ou para o São João mas também para o hospital de Abrantes” e sublinha que “os doentes correm risco de vida, quer os que estão em ventilação não evasiva quer os que estão ventilados em cuidados intensivos.”

“Não vale a pena dizerem que não, isto é uma realidade e é com ela que vamos ter de lidar nos próximos dias”, afirma, acrescentando que “é altura de começarmos todos a dizer a verdade, a dizer aquilo que se está a passar, para ver se, de uma vez por todas, nós todos nos apercebemos daquilo que está a acontecer.”

A rede de oxigénio no Hospital Amadora-Sintra, na Amadora, entrou em sobrecarga esta terça-feira à noite, devido ao elevado número de casos de internamento em enfermarias e cuidados intensivos. A rutura verificou-se pelo excesso de utilização, uma vez que existe ‘stock’ de oxigénio disponível, segundo fonte do hospital.

A situação está a obrigar à transferência de 48 doentes que necessitam de assistência respiratória: 20 estão ventilados e vão ser transferidos para o Hospital de Santa Maria, os outros estão estáveis e vão ser distribuídos entre o hospital de campanha instalado na Cidade Universitária, o Hospital das Forças armadas, o Egas Moniz e o São Francisco Xavier, todos em Lisboa, e o São João, no Porto.

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