Barómetro CIP/ISEG prevê abrandamento da economia portuguesa em 2026. Empresas temem impacto do conflito no Médio Oriente

O crescimento da economia portuguesa deverá abrandar no primeiro trimestre de 2026, num contexto marcado pela moderação da atividade em vários setores, pelos efeitos de fenómenos climáticos extremos e pelo agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente.

André Manuel Mendes

O crescimento da economia portuguesa deverá abrandar no primeiro trimestre de 2026, num contexto marcado pela moderação da atividade em vários setores, pelos efeitos de fenómenos climáticos extremos e pelo agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente.

O alerta é feito no mais recente Barómetro de Conjuntura Económica da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

De acordo com o barómetro de fevereiro de 2026, será inevitável um abrandamento do crescimento em cadeia do Produto Interno Bruto (PIB) face aos 0,9% registados no último trimestre de 2025. Para o conjunto do ano, a previsão aponta para uma expansão da economia portuguesa entre 1,8% e 2,2%.

“À tendência de moderação de atividade nos setores da produção industrial, nos serviços e no retalho que vem sendo observada desde novembro, acresce o impacto da interrupção de atividade num número significativo de indústrias e explorações agropecuárias afetadas pelos eventos climáticos extremos que assolaram o território de Portugal”, afirma Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP. “Em contrapartida, a evolução muito positiva do mercado de trabalho e a execução dos fundos do PRR deverão continuar a sustentar a procura interna neste trimestre”.

Apesar deste contexto, alguns indicadores mostram sinais positivos. Entre eles destacam-se o aumento homólogo das vendas de automóveis ligeiros de passageiros (16,1%) e de veículos comerciais ligeiros (5,6%), bem como o crescimento de 5,9% no consumo de eletricidade, segundo dados da REN – Redes Energéticas Nacionais. Em sentido contrário, a produção de automóveis ligeiros de passageiros caiu 10,9% em janeiro face ao mesmo mês de 2025.

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O relatório alerta ainda para os efeitos imediatos do agravamento das tensões no Médio Oriente, nomeadamente do conflito que envolve os Estados Unidos, Israel e o Irão. A escalada geopolítica está já a refletir-se nos preços dos combustíveis e nos custos do transporte marítimo à escala global, aumentando o risco de uma subida prolongada dos preços do petróleo e do gás natural.

Perante este cenário, a CIP admite a necessidade de medidas de mitigação. “Se a escalada prosseguir, será necessário tomar medidas de resposta com duas prioridades imediatas: apoios diretos às empresas mais afetadas pelo acréscimo de custos energéticos; e medidas de caráter mais transversal que amorteçam o impacto da subida dos custos de produção e transporte nos preços no consumidor”, afirma Rafael Alves Rocha.

Ainda assim, a organização empresarial considera que a evolução positiva do mercado de trabalho e a execução dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) deverão continuar a sustentar a procura interna ao longo deste trimestre.

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