Os pedidos de acesso às linhas de crédito de emergência estão a chegar aos milhares à Banca, com todos os sectores económicos, desde o turismo à indústria, passando pela construção, restauração e comércio, à espera de uma ajuda rapidamente, para que não faltem os salários de Abril, inclusive dos trabalhadores em regime de lay-off. A Banca afirma estar a despachar processos entre cinco a sete dias, de acordo com o ‘CM’.
Os juros a pagar podem ser superiores a 3% no prazo de vida do empréstimo, contudo o Estado está também a cobrar 1,75% pela garantia que presta através da Sociedade de Garantia Mútua. A este valor as instituições financeiras somam-lhe mais 1,5%.
O sector do comércio encontra-se a aguardar a aprovação de Bruxelas para ser criada uma linha de emergência especifica de mil milhões, de acordo com João Vieira Lopes, da Confederação de Comércio e Serviços (CCP): «O Governo disse que, até à próxima segunda-feira, a Comissão Europeia dava autorização», afirma citado pelo ‘CM’.
Relativamente à restauração, a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) fará um apanhado do número de candidaturas que já deram entrada, nesta sexta-feira. Contudo, segundo uma fonte oficial da associação que representa restaurantes e hotéis «aumentar o endividamento não é a melhor forma de ajudar empresas», defende.
No que diz respeito ao sector da indústria metalúrgica, existem dificuldades no acesso ao crédito pela Banca. Rafael Campos Pereira, vice-presidente da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e afins de Portugal (AIMMAP), avisa que «há sinais, por informação que chegam dos associados, que os bancos estão a canalizar o dinheiro para as empresas que menos precisam, as de menor risco, em vez de fazerem chegar o dinheiro às que mais precisam».
Por sua vez, Rui Rio no lado da banca criticou duramente os bancos, dizendo que seria «uma vergonha» e uma «ingratidão», se as instituições se aproveitassem deste período para lucrar em 2020 e 2021. Nem a Associação Portuguesa de Bancos (APB), nem a Caixa Geral de Depósitos, banco detido na íntegra pelo Estado, quiseram comentar as palavras do líder do PSD, de acordo com o ‘CM’.
Já os privados consideram que «os bancos têm agora muito mais liquidez para emprestar do que tinham em 2010»,, de acordo com um dos responsáveis do Novo Banco, a instituição que mais linhas de crédito tem para ajudar as empresas, acrescentando que «o que é preciso é operacionalizar a entrega e a libertação do dinheiro. Estamos a responder em cinco dias para libertar 50% do capital, sem esperar pela chegada da garantia do Estado».
Um dos responsáveis do Millennium/BCP acredita que «se não existirem bancos saudáveis, não podemos ajudar a economia», acrescentando que «as operações de abertura da garantia do Estado na Sociedade de Garantia Mútua têm um prazo de 60 dias. O Banco está a dar resposta a candidaturas no prazo médio de sete dias, adiantando 100% do capital pedido», afirma. O mesmo responsável sublinha ainda que «há um conjunto grande de empresas que estava a recuperar, mas que ainda estão muito frágeis e muitas vão morrer».










