Bancos centrais estão mais preocupados com a inflação do que com o crescimento, alerta AllianzGI

A onda de calor que assola a Europa tem vindo a intensificar a necessidade de se reforçarem os esforços para serem controlados os recursos energéticos, principalmente numa altura em que o fornecimento de gás no velho continente está limitado e com um futuro incerto.

Como tal, os Estados-Membros da UE acordaram um plano de contingência para a poupança de gás a partir de agosto, o que desencadeia uma sequência de acontecimentos que impactam a economia dos países, alerta Stefan Rondorf, Estratega de Investimento Sénior, Economia Global & Estratégia, da Allianz Global Investors (AllianzGI).

O Banco Central alemão, o Bundesbank, por exemplo, prevê uma perda de mais de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha em 2023 num cenário de risco (que pressupõe uma interrupção total do fornecimento de gás natural russo e, consequentemente, uma produção industrial gravemente prejudicada). Comprovando-se, este cenário pode levar a uma crise em todo o continente.

“No entanto, os bancos centrais continuam a despender uma energia considerável para controlar as expetativas inflacionistas e combater a inflação persistente. Atualmente, a maioria dos bancos centrais ocidentais parece estar a enfrentar o mesmo cenário: as preocupações com a inflação superam as preocupações com o crescimento”, afirma Stefan Rondorf.

Rondolf acredita que o aumento das taxas de juro em meio ponto percentual por parte do Banco Central Europeu introduziu precocemente um ” fundo falso” no ciclo de aumento das taxas de juro. “Com um novo instrumento, pode potencialmente intervir se as taxas de juro dos títulos do Tesouro do sul da Europa excederem níveis fundamentalmente justificados, desde que o país em causa respeite as relevantes regras orçamentais europeias relevantes. No entanto, na prática, a sua eficácia é, à primeira vista, questionável”, explica.



Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.