Só num ano, e apenas com quatro grupos empresariais, o Novo Banco, o BCP e a CGD (com uma ajuda do Crédito Agrícola e do BPI) aceitaram perder quase 300 milhões de euros em créditos anteriormente concedidos que já não vão receber. Este montante representa mais de dois terços do total financiado pelas instituições, avança hoje o semanário ‘Expresso’.
Os bancos assumem os descontos para conseguirem recuperar cerca de um terço dos seus créditos e justificam-se com o argumento de que, assim, evitam perdas maiores.
Entre a viabilidade e a recuperação destes grupos, a reestruturação de dívidas para evitar o incumprimento e a última fase desejada (a falência), os bancos medem as consequências. Mas nunca, como agora, se falou tanto de perdões.
Entre as empresas perdoadas pela banca nesta contabilização estão a Malo Clinic, a Varandas de Sousa (maior produtor nacional de cogumelos), a SIVA, de João Pereira Coutinho (todas decorrentes de processo especial de revitalização — PER), mas também reestruturações de dívida como as da SAD do Sporting e do grupo Global Media, que detém títulos de media como “DN”, “JN” e TSF. Sendo que não se conhecem os montantes para este último grupo.
E Em 2020 haverá seguramente mais perdões para contabilizar. A Sociedade Comercial Orey Antunes, por exemplo, entrou, no final de novembro, com um PER. A holding admite que tem um “desequilíbrio financeiro de curto prazo de cerca de €12 milhões”.
No plano, que prevê a entrada de investidores para resolver a crise de liquidez, a Orey assume que irá impor perdas a credores (nos garantidos, o reembolso é equivalente às garantias; nos comuns, o perdão oscilará entre 90% e 95%).




