O Presidente da República vai reunir em Belém com os cinco presidentes-executivos da Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, Novo Banco, Santander e BPI, com o objectivo de sensibilizá-los para a distribuição ágil das linhas de crédito de três mil milhões de euros com garantia do Estado.
Segundo o “Correio da Manhã” (CM), os presidentes vão dizer a Marcelo Rebelo de Sousa que estão preparados para fazer parte da solução contra a crise económica que se vai irá abater sobre Portugal. Porém, também vão chamar a atenção para a necessidade de manter os bancos financeiramente sólidos. «Temos de ter dinheiro para emprestar à economia daqui a seis ou nove meses, quando os primeiros sinais de recuperação surgirem», disse ao “CM” um dos responsáveis de uma das cinco grandes instituições financeiras.
De acordo com o jornal, os bancos estão preparados para enfrentar três meses sem receitas e seis meses sem qualquer liquidez, sendo a burocracia das candidaturas aos fundos de emergência o maior desafio. «Por exemplo, é preciso uma assinatura do sócio-gerente que está no Algarve. Mas essa pessoa não se pode deslocar para fora da sua área de residência para assinar», descreve ao “CM” um responsável de um dos maiores bancos comerciais. Para atalhar este tipo de exigências, a banca está a operacionalizar os sistemas informáticos, de forma a que tudo possa ser realizado remotamente o mais rapidamente possível, respondendo assim ao pedido do Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.
Para Marcelo, o sistema financeiro deve «retribuir aos portugueses» as ajudas que teve ao longo dos anos, entre recapitalizações da Caixa e empréstimos no tempo da troika. Valeram, desde 2007, quase 25 mil milhões de euros.
Nesta fase, a Associação Portuguesa de Bancos (APB) não foi convocada. A ideia é ouvir as experiências de Paulo Macedo (CGD), Miguel Maya (BCP), António Ramalho (Novo Banco), Pedro Castro Almeida (Santander) e Pablo Forero (BPI) sobre a forma como estão a gerir o pedido de apoio das empresas. Ao que o “CM” apurou, numa fase posterior poderá existir uma estratégia conjunta a ser concretizada através da APB.
Dados do Banco de Portugal mostram que, entre 2007 e 2018, os bancos foram ajudados em 23,8 mil milhões de euros, sendo que, a este valor (entretanto desactualizado), há que somar 1.15 mil milhões emprestados em 2019 pelo Estado ao Fundo de Resolução (FR) que os injectou no Novo Banco, elevando o total para 24,95 mil milhões de euros.
Já neste ano, o Novo Banco pediu mais 1.037 milhões, que, se forem transferidos dos cofres públicos para o FR, elevarão o total para 25,97 mil milhões.
Quem recebeu o quê
No relatório sobre as instituições de crédito que recorreram a fundos públicos, o supervisor identifica «as instituições de crédito que tenham sido objecto ou resultado de medida de resolução, de nacionalização, de liquidação, ou de operação de apoio à sua capitalização, com recurso a fundos públicos disponibilizados pelo Estado, ou pelo Fundo de Resolução com recurso a financiamento ou garantia prestados pelo Estado». Contas feitas, a CGD, BCP, BPI, BES, Novo Banco, Banif, BPP e BPN receberam 23,8 mil milhões de ajudas públicas entre 2007 e 2018 (este valor não contabiliza, no entanto, as ajudas devolvidas ao BCP e ao BPI, por exemplo).
Em 2012 o Millennium recebeu uma ajuda de três mil milhões de euros em títulos de capital contingente que devolveu integralmente, com juros de mil milhões de euros; o mesmo aconteceu no caso do BPI, mas num montante de 1.500 milhões, com o estado a ganhar 100 milhões.
Neste período, a CGD foi o banco que mais ajudas recebeu neste período: foram 6.250 milhões de euros, enquanto ao BPN coube uma fatia e cinco mil milhões. O BES/Novo Banco foi alvo de empréstimos no total de 4.330 milhões e o Banif recebeu 3,355 milhões.
O BdP, recorde-se, perspectiva uma queda do PIB entre 3,7% e 5,7%, com o desemprego a disparar dos actuais 6,5% para 10,1%. Já os economistas da Universidade Católica avançam com uma contracção do PIB mais acentuada, entre 4% e 20%, e apontam como o mais provável que o tombo seja de 10%. Isto presumindo que o período de confinamento (de pessoas e de actividades) não se prolongará por meses.




