A linhagem BA.5 da variante Ómicron tem apresentado uma frequência relativa “marcadamente crescente”, estimando-se que já seja dominante em Portugal.
Mas o que já se sabe efetivamente sobre esta linhagem? É mais perigosa? E transmissível? Consegue resistir à imunidade? Preparámos um conjunto de perguntas e respostas com tudo o que é necessário saber.
1. O que é a BA.5?
É uma linhagem da variante Ómicron recém-designada. O ECDC já a considerou uma variante de preocupação (VOC), mas é no fundo um vírus com uma nova combinação de mutações.
O facto de se ter tornado uma VOC significa que “existem evidências claras que indicam um impacto significativo na transmissibilidade, gravidade e/ou imunidade que provavelmente terá impacto na situação epidemiológica na UE/EEE”.
Onde é que foi detetada?
A linhagem Ómicron BA.5 foi detetada pela primeira vez a partir de um espécime recolhido a 25 de fevereiro de 2022 em KwaZulu-Natal, na África do Sul. Em 22 de abril de 2022, a BA.5 foi detetada em Gauteng, Limpopo, Mpumalanga, KwaZulu-Natal, Noroeste e Cabo Ocidental, no mesmo país.
Foi também detetada em países fora da África do Sul, como Portugal, EUA, Reino Unido e Botsuana, estando a ser monitorizada de perto, com os seus dados a serem carregados regularmente.
3. É incomum detetar uma nova linhagem Ómicron?
Não. À medida que o SARS-CoV-2 continua a espalhar-se, continua a evoluir e a ganhar mutações. Quando um grupo de genomas contém o mesmo conjunto de mutações, estas são designadas como uma nova linhagem.
4. Esta linhagem já é dominante em Portugal?
Sim. A linhagem BA.5 da variante Ómicron tem apresentado uma frequência relativa “marcadamente crescente”, estimando-se que já seja dominante em Portugal, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).
“Após a sua primeira deteção na semana 13 (28 de março a 3 de abril), a linhagem BA.5 tem apresentado uma frequência relativa marcadamente crescente, estimando-se que já seja dominante em Portugal (frequência relativa estimada de 63,6% ao dia 15 de maio)”, revela.
5. Quais os sintomas?
Até agora, as autoridades de saúde sul-africanas reportaram que os infetados com esta subvariante apresentam sintomas leves semelhantes aos relatados com as outras linhagens da Ómicron.
Basicamente, os infetados têm febre, fadiga, tosse, dor de garganta, muscular e dor de cabeça ou frequência cardíaca elevada. Por isso já sabe, se os tiver, deve estar atento e provavelmente fazer um teste de despiste.
6. É mais transmissível?
Miguel Prudêncio, investigador do Instituto de Medicina Molecular (iMM), revela ao ‘JN’ que tudo indica que sim. Isto explica-se com o facto de estar a ganhar prevalência face às linhagens a anteriores, representando mais de 63% dos novos casos de covid-19.
6. Então o seu surgimento pode resultar num aumento de casos?
Sim, aliás isso já se verifica em Portugal. Na segunda-feira foram registadas quase 34 mil infeções e os especialistas do INSA estimam que Portugal possa chegar aos 60 mil casos até ao final do mês.
7. E causa doença mais grave?
Segundo Miguel Prudêncio, “não há indicações de que assim seja”, mas só com o tempo e a acumulação de evidência clínica sobre a nova linhagem será possível ter “certezas definitivas”. “Ainda passou muito pouco tempo desde que a BA.5 ganhou prevalência” em Portugal, refere ao jornal.
8. Esta variante escapa à imunidade?
Como a BA.5 tem algumas mutações diferentes em relação a outras linhagens Ómicron, é possível que haja algum escape imunológico levando a um aumento no número de casos de COVID-19.
9. E as vacinas atuais ainda funcionam contra a BA.5?
A vacinação continua eficaz na prevenção de doenças graves, e os indivíduos são fortemente encorajados a serem vacinados e receberem doses de reforço apropriadas.













