Avanços nas vacinas Covid-19 fazem ‘estragos’. Fundos de ouro sofrem o maior saque da história

Os fundos investidos em ouro, o refúgio seguro por excelência, sofreram o maior saque semanal de dinheiro, chegando aos 4 mil milhões, sendo que sendo que preço do ouro caiu 4,99%.

Sónia Bexiga

As esperançosas notícias sobre as vacinas da Pfizer, Moderna e Oxford-Astrazeneca causaram uma reviravolta no fluxo de capitais dos mercados financeiros: inebriados, os investidores decidiram assumir um risco maior e voltaram a apostar nas ações.

De imediato, os fundos investidos em ouro, o refúgio seguro por excelência, sofreram o maior saque semanal de dinheiro, chegando aos 4 mil milhões, sendo que sendo que preço do ouro caiu 4,99%, a sua pior queda dos últimos dois anos.

Os fundos de investimento em ações registaram a maior entrada de dinheiro, subindo para 71,4 mil milhões de dólares, o maior valor da história globalmente, de acordo com a Reuters, citando dados do Bank of America e EPFR Global.

Apesar de todos celebrarem os avanços das vacinas, existe o outro lado da moeda, sobretudo para ativos ‘refúgio”, como o ouro ou dívida soberana. Desde o pico de junho, o metal precioso caiu cerca de 10%, embora esteja perto de fechar o melhor ano da década, com uma valorização de 20%.

Os fluxos de dinheiro dos fundos foram principalmente em ações de grandes empresas dos EUA e de mercados emergentes. De acordo com os analistas do Bank of America, a tecnologia continuou a receber lucros líquidos, da ordem dos 2,4 mil milhões, apesar de haver uma rotação das carteiras por valores cíclicos.

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O sucesso das vacinas depende de uma recuperação económica sustentada, ou não, e se a crise económica causada pelo coronavírus é efetivamente ultrapassada. Diante desta perspetiva, o ouro perde a sua atratividade, apesar de os especialistas acreditarem que a saída da crise virá com a inflação.
Os analistas da Macquarie preveem mesmo que este mercado, em alta até agora, “chegou ao fim”. “Tal como aconteceu em 2013, após uma década de escalada que acabou por desembocar num colapso quando a crise diminuiu e as expectativas de novas políticas de flexibilização diminuíram”, relembram. “Estimamos que os preços do ouro caiam para 1.550 dólares a onça, numa queda de cerca de 17% em relação aos níveis atuais”, concluem.
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