A correção digital dos exames nacionais arrancou este ano com recurso a sistemas que já tinham substituição anunciada e que acabaram por concentrar sucessivas falhas técnicas. Professores classificadores têm relatado dificuldades de acesso, respostas incompletas, folhas de continuação em falta, imagens ilegíveis e classificações que desaparecem da plataforma.
Segundo o Expresso, o atual sistema de classificação foi criado em 2018 e recebeu novas adaptações em 2023, através de contratos com a Blat Studio que totalizaram cerca de 50 mil euros. Paralelamente, a plataforma interna usada para preparar as provas digitalizadas também registou problemas que acabaram por afetar o trabalho de milhares de docentes.
O Governo decidiu avançar com a digitalização generalizada apesar de já estar em desenvolvimento uma nova plataforma destinada a substituir várias das ferramentas atualmente utilizadas na avaliação externa. De acordo com o Expresso, o IAVE adjudicou em julho de 2025 à Axians, empresa do grupo Vinci, um contrato de aproximadamente 1,49 milhões de euros financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência.
A futura plataforma, designada GAEBS, deverá reunir num único sistema áreas como as inscrições, a organização das provas, a classificação, a divulgação dos resultados e a certificação dos percursos escolares. No entanto, a entrada em funcionamento está prevista apenas para 2027 e a solução não participa no atual processo de digitalização dos exames.
A Blat afastou responsabilidades pelas operações que têm estado no centro das queixas, sustentando que não controla a digitalização, a submissão dos ficheiros, a gestão dos utilizadores ou a distribuição das respostas pelos professores. Já o Ministério da Educação reconheceu a existência de dificuldades tanto na preparação das provas como na plataforma de classificação.
Ministro autoriza mais 500 mil euros para apoio técnico aos exames
Entretanto, Fernando Alexandre autorizou o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, o Eduqa, a realizar despesas até 500 mil euros para apoiar as soluções tecnológicas ligadas à digitalização e classificação das provas nacionais. Segundo o Público, o despacho permite contratar serviços, adquirir equipamentos e recorrer, em situações devidamente justificadas, a consultoria, estudos ou outros trabalhos especializados.
O Eduqa passa também a poder renovar contratos já existentes, escolher os procedimentos de contratação e designar os respetivos júris. De acordo com o Público, todas as decisões tomadas ao abrigo desta autorização terão de ser comunicadas mensalmente ao ministro através de uma listagem dos atos praticados.
O despacho foi assinado numa altura em que os professores continuam a trabalhar sob forte pressão para concluir as classificações. O ministro indicou que 95% dos exames já tinham sido distribuídos e que 75% das provas entregues aos classificadores estavam corrigidas. O prazo para terminar o processo foi prolongado até 14 de julho, estando a publicação das notas prevista para dia 17.
Os docentes, porém, continuam a relatar volumes de trabalho imprevisíveis. Há casos de professores que receberam centenas de novas respostas a poucos dias do prazo, provas com folhas em falta, itens já avaliados por outros classificadores e exercícios de disciplinas que não lecionam. Alguns admitem trabalhar durante os fins de semana e prolongar os horários para evitar consequências para os alunos.
Apesar dos problemas, antigos responsáveis do IAVE e alguns professores reconhecem vantagens na classificação eletrónica, como a redução de tarefas administrativas e a possibilidade de tornar o processo mais uniforme. Ainda assim, consideram que o modelo terá de ser estabilizado e defendem que o caminho deverá passar por provas realizadas diretamente em formato digital, evitando a complexidade de transformar exames em papel em milhares de ficheiros.














