Autoridades europeias já reclamaram 35 milhões de euros com informações de ‘hacker’ Rui Pinto

A directora da organização norte-americana Signals Network, Delphine Halgand-Mishra, estima que «pelo menos 35 milhões de euros foram já reclamados pelos procuradores de vários países da Europa e enquanto isso Rui Pinto está preso».

Na conferência de imprensa realizada esta tarde em Lisboa sobre o caso de Rui Pinto, a responsável da organização sem fins lucrativos, que apoia denunciantes com donativos da sociedade, defendeu que «as informações de Rui Pinto são de um excepcional interesse público», segundo adianta o “Expresso”. Halgand-Mishra garantiu, no entanto, que a Signals Network não encoraja os whistle-blowers a cometer crimes nem a fazer pirataria informática.

Também presente, «Rui Pinto mantém a mesma disposição de colaborar com as autoridades portuguesas na luta contra o branqueamento de capitais e a corrupção», refere o advogado Francisco Teixeira da Mota,

Já o advogado francês William Bourdon admitiu que «é um privilégio para um advogado defender uma pessoa como ele [Rui Pinto]». «O Rui Pinto é um filho de Portugal e o país deve de estar cada vez mais orgulhoso de ter tido este filho. Devemos estar gratos porque a prova está feita, independentemente do caso, sem os ‘whistleblowers’ as pessoas ficam privadas de conhecer as redes de corrupção e lavagens de dinheiro. Os cidadãos portugueses têm o direito a ter o acesso à informação revelada por Rui Pinto, quer no Football Leaks quer no Luanda Leaks. Estas informações são decisivas para melhorar o funcionamento dos organismos de regulamento existentes em Portugal, serão essenciais para recuperar milhões de euros», afirmou.

«Reitero a vontade, que foi me foi manifestada hoje de amanhã pelo Rui Pinto, no sentido de colaborar com as autoridades portuguesas de forma franca e direta», insistiu, sublinhando que Rui Pinto «não é um delinquente, é um lançador de alertas que deve de ser protegido» e que «é assim que ele é entendido e visto por vários procuradores europeus».

Bourdon recordou ainda: «Lembro que a 24 horas de Rui Pinto ser detido em Budapeste estive com ele bastante tempo. Ele transmitiu-me que desejava integrar-se num programa de protecção de testemunhas de corrupção, o que não foi possível porque foi preso no dia seguinte. A ironia desta história é que as autoridades húngaras confiscaram um telemóvel fornecido pelas autoridades francesas no âmbito desse programa. Esse telenovela que pertence às autoridades francesa está nas mãos da justiça portuguesa. O lugar do Rui pinto é estar em liberdade. E deixo o alerta: não há nenhum ‘whistleblower’ como o Rui Pinto que esteja preso na Europa.  A acusação de tentativa de extorsão é totalmente artificial e estamos convencidos que vamos provar que não é culpado».

Assegurou ainda que o hacker português «nunca pediu dinheiro a ninguém». «Com a Doyen houve uma tentativa infantil de tentar ver até onde iam, mas ele não ia receber dinheiro nenhum», atirou.

Na mesma ocasião, o director da publicação francesa “Mediapart”, Edwy Plenel, disse que Rui Pinto «não é um criminoso, mas sim um herói», pois «permitiu à população conhecer aquilo que lhe vem sendo escondido». «O direito a saber é em democracia mais importante que o próprio direito de voto: se eu não sei, até posso votar a favor do meu pior inimigo», reafirmou.

Recorde-se que Rui Pinto assumiu, através dos advogados, que entregou 715 mil ficheiros à Plataforma de Proteção de Denunciantes em África, que permitiram a recente revelação dos «Luanda Leaks», documentos que detalham esquemas financeiros da empresária angolana Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, através de paraísos fiscais.

Preso preventivamente desde Março de 2019, no âmbito do caso «Football Leaks», Rui Pinto responde por 90 crimes, de acesso ilegítimo, acesso indevido, violação de correspondência, sabotagem informática e tentativa de extorsão.

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