Autoridades europeias investigam grande surto de salmonela ligado a ovos espanhóis. Já há 272 casos em seis países

No total, foram identificados 272 casos, 25 dos quais foi necessário internamento e dois resultaram em morte (em França e Espanha), de acordo com o relatório de avaliação conjunta do ECDC e da EFSA.

Simone Silva

As agências europeias de saúde pública e segurança alimentar alertaram para um grande surto ativo de salmonela com casos confirmados no último ano em seis países, ligados a ovos produzidos em Espanha.

No total, foram identificados 272 casos, 25 dos quais foi necessário internamento e dois resultaram em morte (em França e Espanha), de acordo com o relatório de avaliação conjunta do Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC) e da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA).

O documento especifica que as investigações começaram em Setembro em França, quando as autoridades sanitárias detetaram um aumento dos casos de salmonela, uma infeção que é geralmente ligeira (febre, diarreia, dores abdominais, náuseas e vómitos), mas que nas pessoas mais velhas ou com outras patologias causa sérias complicações.

A sequência genómica das salmonelas isoladas dos doentes revelou que todos os casos foram causados pela mesma estirpe (Salmonella enterica, serotipo Enteritidis ST11), o que motivou uma investigação epidemiológica que levou a produtores espanhóis.

Segundo o relatório, “na sequência do alerta lançado por França, outros países relataram mais casos da doença”, vários ligados a viagens a Espanha e França. No total, França confirmou 216 casos, Espanha 22, os Países Baixos e o Reino Unido 12, a Noruega sete e a Dinamarca 3.

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A grande maioria dos casos ocorreu nos meses mais quentes do ano, seguindo um padrão sazonal típico relacionado com temperaturas ambientes mais elevadas.

O ECDC e a EFSA associaram microbiologicamente este surto a outro detetado em 2019 pelos Países Baixos causado pela mesma estirpe, que afetou quase mil pessoas em de países.

As investigações apontaram também para uma exploração espanhola de galinhas, mas acabaram por não confirmar a ligação epidemiológica. A identificação da mesma estirpe em ambos os surtos e a sua magnitude levou as duas agências a lançar o alerta.

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Isto porque, as investigações mostram que a tensão causal está “a espalhar-se” nos países europeus e “pode estar a circular em mais explorações agrícolas, dentro e fora de Espanha”. O relatório considera que o risco de novas infeções pela estirpe sob investigação é “elevado” nos próximos meses.

Silvia Herrera, especialista em salmonela do Centro Nacional de Microbiologia (CNM), descreve o conteúdo do relatório como “importante”. “Diz-nos que esta estirpe está amplamente distribuída na Europa e que é necessária mais investigação sobre a origem de todos os casos”, apontou.

“Neste surto, alguns países notificaram pessoas afetadas, mas a dificuldade dos estudos de rastreabilidade quando há um número reduzido de casos sem uma ligação epidemiológica clara, significa que apenas França e Espanha conseguiram confirmar a origem das infeções”, acrescentou.

A especialista sublinhou ainda que “a recomendação do ECDC e da EFSA é que as investigações sejam alargadas a todos os países onde esta estirpe é detetada, porque, como o relatório diz, pode haver mais explorações agrícolas afetadas”.

A salmonela é mais prevalente no sul da Europa do que no norte, devido a razões climáticas, uma vez que as bactérias se multiplicam muito mais em temperaturas mais quentes.

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“Os países do Norte tendem a ter mais casos isolados onde não são efetuados estudos epidemiológicos e menos surtos de grande dimensão. O ECDC e a EFSA insistem agora que é importante que os países que diagnosticam casos façam mais inquéritos”, disse Herrera.

Já José Juan Rodríguez, Professor de Nutrição e Bromatologia na Universidade Autónoma de Barcelona e membro da Sociedade Espanhola de Segurança Alimentar (SESAL), salienta que “estes alertas são o resultado de novas ferramentas analíticas desenvolvidas nos últimos anos, que realizam uma análise completa do genoma das bactérias ligadas a surtos”.

“Isto torna agora possível ver coisas que antes não víamos, como por exemplo se a salmonela que está a causar surtos em França é a mesma que os está a causar surtos noutros países. Quando se descobre isto, a suspeita é de que existe uma origem comum”,  conclui.

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