Desde Setembro, os incêndios florestais que estão a devastar a Austrália já provocaram a morte de, pelo menos, 18 pessoas e quase 500 milhões de animais, incluindo oito mil coalas, avança o jornal britânico “The Independent”.
Numa audição no Parlamento em Dezembro, Mark Graham, do Conselho de Conservação da Natureza, disse que «os fogos têm ardido com tal intensidade e velocidade que tem havido uma grande taxa de mortalidade de animais que moram nas árvores». Os coalas, destacou, «não têm velocidade suficiente para fugir».
Segundo o jornal, as autoridades temem a morte dos coalas, cuja população em todo o país é de cerca de 80 mil, mostram dados da Koala Australia Foundation. Se os fogos continuarem, estima-se, por exemplo, a perda de 30% dos coalas em Nova Gales do Sul.
A gravidade dos incêndios está também a causar o desaparecimento de várias espécies de plantas e o fumo deu aos glaciares um tom acastanhado.
Há vários meses que a Austrália combate os fogos. Mais de 1300 casas foram destruídas e 5,5 milhões de hectares destruídos. Na quinta-feira, segundo as autoridades de Victoria, existiam 17 pessoas desaparecidas naquele estado.
O “The Independent” escreve ainda que o primeiro-ministro, Scott Morrison, tem sido fortemente criticado pela falta de iniciativa no combate aos incêndios florestais que, segundo antecipou, estão para durar. «Vão continuar até que tenhamos alguma chuva decente» disse ontem.
O governante foi também recebido com vaias e insultos, depois de ter dito que a «tragédia» dos fogos na Austrália é o desperdício de leite. «Sobretudo em Cobargo e lugares como esse, onde os produtores de lacticínios têm simplesmente de deitar o leite pela colina abaixo por causa da falta de energia nestas áreas numa altura dessas. Esta é a tragédia que está a acontecer como resultado destes desastres», defendeu.
Recorde-se que, os incêndios levaram a governante de Nova Gales do Sul a declarar, ontem, estado de emergência durante os próximos sete dias – o terceiro nos últimos dois meses. As autoridades estão a apelar aos turistas a abandonar a região devido ao agravamento das condições meteorológicas previstas para sábado, dia 4 de Janeiro.




