A CGTP não assinou o acordo, na passada 6ª feira, de concertação social e chamou a atenção para as várias ações de protesto, em vários pontos do país – estão já agendadas para este sábado duas manifestações em Lisboa e no Porto.
A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses considerou que os compromissos assumidos trazem vantagens para as empresas, mas não para os trabalhadores. Após a chegada a acordo do Governo com a União Geral de Trabalhadores (UGT) e com as confederações empresariais para implementar um conjunto de medidas de melhoria dos rendimentos ao longo dos próximos anos, a Intersindical contestou a ideia de que haverá uma “melhoria” dos rendimentos, porque os trabalhadores não conseguirão recuperar na totalidade das perdas de poder de compra.
Isabel Camarinha faltou à cerimónia que juntou os presidentes da Confederação dos Agricultores Portugueses, da Confederação Empresarial de Portugal, da Confederação do Turismo de Portugal e da União Geral dos Trabalhadores. A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) não esteve presente mas rubricou o compromisso. No entender da CGTP, o conteúdo deste acordo “é muito insuficiente” a nível dos salários em geral e de não conter questões que eram essenciais.
“A CGTP faz o que faz sempre, que é defender os direitos e interesses dos trabalhadores em todos os espaços onde participamos e, naturalmente, representando os trabalhadores que trabalham e vivem no nosso país, não podia pactuar com um acordo, ainda por cima, realizado apressadamente, porque só no dia 28 de setembro é que foi apresentada uma proposta concreta na concertação social relativamente ao que se pretendia negociar”, apontou a secretária-geral da CGTP.
A CGTP não está isolada na contestação social às medidas do Governo. O aumento do custo de vida levou não só a um maior contacto junto das associações e organismos que tutelam o consumo como ao aparecimento de novos grupos de protesto. A 22 de março, no Facebook, foi criado o movimento “Os mesmos de sempre a pagar” e depressa saltou da rede social para as ruas. Já foram desenvolvidas várias iniciativas em 40 cidades, raio de ação que tem vindo a alargar-se.
À DECO têm chegado mais pessoas que procuram aconselhar-se sobre o que fazer. Tendência que também está a acontecer na Europa. A mediação da associação de consumidores tem tido bons resultados, segundo os responsáveis. Sobretudo no que diz respeito a problemas com viagens, os créditos bancários e a transferência, ou não, para o mercado regulado na energia. “As famílias estão a ser estranguladas por causa do aumento do custo de vida, dos produtos alimentares, da eletricidade, do gás e dos combustíveis, principalmente. As de menores rendimentos ou com taxas de esforço elevadas são as que têm mais problemas, o que se compreende. Temos muitas famílias com rendimentos iguais ou inferiores ao salário mínimo nacional e são estas as primeiras a ser confrontadas com as dificuldades em cumprirem os compromissos assumidos”, explicou Natália Nunes, do Gabinete de Proteção Financeira da DECO.
O aumento das prestações bancárias para um crédito à habitação é um esforço financeiro assinalável. “A questão começa agora a colocar-se, dependendo de as pessoas escolherem uma taxa variável de seis meses ou um ano, findo o qual a prestação é revista. Há famílias que sofrem aumentos consideráveis e muitas entram em incumprimento”, frisou Natália Nunes, lembrando que não estamos “numa situação idêntica aos anos da crise financeira [2010-2014] e esperamos que não se chegue lá, que as pessoas estejam mais resilientes e com maior capacidade de resistência a estes aumentos”.



