As recomendações do Governo em aumentar a tarifa da água vai afetar as famílias mais numerosas, acusou esta segunda-feira a DECO Proteste. Em comunicado, o órgão de defesa do consumidor apontou que a intenção do Executivo, que pretende uma subida da tarifa da água para os maiores consumidores em 43 concelhos de Portugal em situação mais crítica de seca, “não reduz o consumo de água nos vários municípios”.
“Não percebemos porque a medida considera apenas os consumidores domésticos como ‘grandes consumidores de água’, quando outras tipologias de consumidores não domésticos facilmente consomem água acima deste escalão. O consumidor doméstico está a ser o elo mais fraco nesta medida, pois é sempre mais fácil agravar o tarifário dos particulares, e esta medida não reduz o consumo de água nos vários municípios”, acusou Antonieta Duarte, especialista da DECO Proteste.
O consumo médio de uma família é de cerca de 10 metros cúbicos e o Governo, conforme explicou o ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, pretende aplicar a medida a consumidores que utilizem mais de 15 metros cúbicos de água, nos municípios mais afetados pela seca, sublinhando no entanto que “nada impede que outros” concelhos o façam. “Recomendaria esta medida para qualquer município do país”, garantiu.
Mas a DECO Proteste acusou o Governo de fazer mira às “famílias mais numerosas, que não são necessariamente as que mais desperdiçam água”. “Não é difícil que uma família com cinco pessoas tenha consumos mensais acima de 15 m3 de água e isso não significa sequer que seja uma família que desperdice água. Esta medida está longe de combater o consumo excessivo ou o desperdício de água”, acrescentou a responsável, indicando que nos 43 concelhos abrangidos pela recomendação do Governo “apresentam tarifas de água muito díspares, o que condiciona o desejado efeito estruturante das medidas anunciadas pelo Governo para responder à mais grave seca hidrológica que o país já atravessou neste século”.














