O ano de 2023 foi caracterizado por uma recuperação surpreendente dos ativos financeiros globais, que cresceram 7,6%, totalizando 239 biliões de euros. Contudo, as famílias portuguesas não conseguiram acompanhar esta tendência positiva, com um aumento modesto de apenas 3,8% nos seus ativos financeiros, muito abaixo da média regional de 5,0%.
De acordo com a 15.ª edição do Global Wealth Report da Allianz, entre os fatores que contribuíram para este desempenho menos robusto destaca-se a classe de ativos de seguros e pensões, que registou um declínio de 4,8% pelo quarto ano consecutivo, atingindo níveis equiparados aos de 2005. A proporção deste tipo de ativo nas carteiras das famílias portuguesas caiu para 11,5%, uma das mais baixas da região.
Os depósitos bancários e os títulos tiveram um desempenho relativamente melhor, com aumentos de 2,8% e 8,4%, respetivamente. Contudo, as novas poupanças em Portugal caíram 66%, fixando-se em 2,5 mil milhões de euros, um valor abaixo dos níveis anteriores à pandemia.
Os dados revelam que os aforradores portugueses mantiveram uma tendência conservadora, direcionando os seus investimentos principalmente para depósitos bancários, enquanto outros ativos, como os seguros e pensões, enfrentaram saídas de fundos significativas. O comportamento tradicional dos portugueses, centrado na poupança em instituições bancárias, reflete-se ainda nos números, com os depósitos a absorver 6,6 mil milhões de euros em novas poupanças.
Em termos reais, o cenário é ainda mais desafiador: ajustados à inflação, os ativos financeiros portugueses diminuíram 1,4% em 2023, resultando numa perda de poder de compra de 2,5% em comparação com 2020.
Por outro lado, o passivo das famílias portuguesas registou uma ligeira diminuição de 0,3%, elevando o rácio da dívida para 68%, o nível mais baixo deste século. Os ativos financeiros líquidos também mostraram um aumento significativo de 6,2%, embora o património financeiro líquido per capita de 31.460 euros tenha feito Portugal descer uma posição no ranking dos 20 países mais ricos.
Ativos financeiros líquidos per capita em 2023
| Em Euros | A/A em % | Classificação
2003 |
||
| 1 | Estados Unidos | 260,320 | 9.8 | 2 |
| 2 | Suíça | 255,440 | 2.5 | 1 |
| 3 | Dinamarca | 172,200 | 4.3 | 15 |
| 4 | Singapura | 171,930 | 7.1 | 11 |
| 5 | Taiwan | 148,750 | 9.9 | 10 |
| 6 | Nova Zelândia | 127,430 | -1.3 | 6 |
| 7 | Suécia | 125,660 | 10.6 | 14 |
| 8 | Canadá | 123,130 | 7,8 | 9 |
| 9 | Países Baixos | 117,280 | 9.8 | 5 |
| 10 | Bélgica | 104,040 | 5.5 | 3 |
| 11 | Austrália | 99,490 | 11.1 | 18 |
| 12 | Japão | 91,940 | 6.2 | 4 |
| 13 | Reino Unido | 80,110 | 1.4 | 8 |
| 14 | Itália | 76,930 | 7.4 | 7 |
| 15 | Irlanda | 74,450 | 5.2 | 16 |
| 16 | França | 72,380 | 8.2 | 12 |
| 17 | Áustria | 70,410 | 5.2 | 13 |
| 18 | Alemanha | 69,060 | 9.2 | 17 |
| 19 | Malta | 58,730 | 5.2 | 19 |
| 20 | Espanha | 43,690 | 9.1 | 21 |
| 25 | Portugal | 31,460 | 6.2 | 23 |






